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sábado, 2 de janeiro de 2021

Andre Matos: O Maestro do Heavy Metal (review)


Biografia do genial e inesquecível Andre Matos. Da infância a sua precoce despedida, o livro documenta a trajetória do Maestro de forma respeitosa e bastante abrangente. 

Repleto de fotos e reproduções de entrevistas, também compila todas os trabalhos do André, incluindo suas vastas contribuições para trabalhos de bandas obscuras no Brasil e no exterior, funcionando como um verdadeiro guia para colecionadores. 

Uma homenagem que faz justiça a sua brilhante carreira e uma leitura essencial para qualquer fã.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A autobiografia de Bruce Dickinson

Bruce Dickinson quebra todos os estereótipos do rockstar. Com sua autobiografia não é diferente. 

Nada de escandâlos, fofocas ou relatos de farras antológicas. O foco é no seu desenvolvimento artístico, intelectual e profissional em suas várias áreas de interesse. 

É claro que surgem diversas histórias curiosas, mas nada que revele demais sua intimidade. As exceções são alguns relatos de sua infância e adolescência e o capítulo final em que descreve sua luta contra o câncer. 

As curiosidades sobre as tours e discos com o Iron Maiden e em sua carreira solo se entrelaçam o seu aprendizado como piloto na maior parte do livro. Uma jornada das mais interessantes para compreender uma das personalidades mais inquietas da história do rock.

domingo, 10 de março de 2019

Paul Stanley - Uma vida sem Máscaras - Resenha

Aproveitei o Carnaval para por a leitura em dia. E me pareceu bem apropriada para a ocasião a leitura da autobiografia do guitarrista, vocalista e líder do KISS, Paul Stanley.


Líder, pois na perspectiva que ele coloca, foi sua obstinação com a banda que a impediu de afundar de vez nos piores momentos de sua longa trajetória e a levou ao topo por diversas vezes.

Olhando sua trajetória com um filtro histórico, é realmente impressionante que um jovem de origem judia sem uma orelha tenha se tornado um ícone do rock'n'roll.

Muito do que Stanley tenta transmitir relaciona-se com sua dificuldade de auto-aceitação devido a uma deformidade em sua orelha que prejudicou sua audição e sua auto-estima. Há insights sobre o gerenciamento da carreira do KISS, comentários que contextualizam a discografia da banda, relatos e mais relatos sobre como era ser um rockstar e ter todas as mulheres do mundo a sua disposição.

Há também duras críticas a seus ex-companheiros de banda que, segundo ele, por diversas vezes não tiveram o profissionalismo necessário para uma banda do porte do KISS.

Nessa jornada de rock'n'roll e autoconhecimento Stanley se encontrou quando resolveu investir em sua família.

Contrariando a própria imagem que cultivou, Stanley se tornou um "pai de família" dedicado e dessa forma superou seus traumas e a solidão. 

Não é o livro que vai mudar nada na história do rock, mas é uma agradável leitura e um ótimo documento sobre uma das mais influentes bandas do rock, gostem os críticos ou não.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Resenha: SÓCRATES - Biografia

Como não vi Sócrates jogar, para mim ele sempre foi o irmão mais velho de Raí, terror do Morumbi e, junto com Zetti, grande ídolo futebolístico de minha infância.


Mas com o tempo veio a curiosidade de entender porque o "Doutor Sócrates" exerceu, e ainda exerce, tanto fascínio nos afficionados por futebol, sejam eles corintianos ou não.

Nesse sentido, a biografia escrita pelo jornalista Tom Cardoso é um excelente e didático guia.

Das origens humildes de sua família e seu estabelecimento em Ribeirão Preto, passando pelo início de carreira no Botafogo local, o que inclui antológicos "mim acher" no próprio pai, ao desenvolvimento de sua trajetória no Corinthians e na Seleção Brasileira (e também o fiasco no futebol italiano), o livro aborda de forma bastante clara e fluida os principais pontos que convergiram para que Sócrates se tornasse um ícone do nosso esporte favorito.

Estão lá todas as polêmicas e contradições do craque: o jogador que não soube ser atleta, o médico que não cuidou da própria saúde, o criador da "democracia corintiana" admirador da esquerda mais extrema a ponto de batizar um de seus filhos de Fidel. 

Sem muita especulação, vemos um retrato bastante fidedigno de Sócrates, com depoimentos de pessoas que conviveram com ele e de trechos de uma autobiografia não acabada.

De quebra, ainda temos insights diversos sobre um período crucial de nossa história, com a redemocratização do país e seus dilemas, é uma nova luz sobre outras figuras importantes do nosso esporte, como o próprio Raí, Casagrande, o mestre Telê Santana, entre outros. 

Com isso, o autor escapou da armadilha do clubismo e criou uma obra que pode ser facilmente digerida por todos aqueles que gostam de pensar o jogo além das quatro linhas.

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segunda-feira, 5 de março de 2018

Resenha: Guia Politicamente Incorreto do Futebol

Nem tanto um guia, nem tão politicamente incorreto assim. Mas um ótimo compêndio de curiosidades sobre diversos aspectos do futebol.



Organizado em capítulos independentes, o livro vai de Charles Miller a Lionel Messi, com o intuito de desconstruir e desmistificar fatos, craques e cartolas do passado e do presente. 

Há algumas bobagens e exageros como uma defesa de Galvão Bueno (nossa, que politicamente incorreto!) e um capítulo "enaltecendo" Ricardo Teixeira por ter dado o mínimo de organização ao futebol brasileiro.

Mas também há muitas verdades, como o interessantíssimo capítulo sobre o Racismo no futebol brasileiro e o capítulo que discute o início do futebol no Brasil.

A maior polêmica talvez seja a de colocar a Seleção Brasileira de 94 como a mãe do tic-taca do Barcelona e da Seleção Espanhola, tese sustentada com estatísticas surpreendentes.

Como o livro foi escrito antes da Copa de 2014, não temos um capítulo sobre o 7x1, que seria um prato cheio para as discussões aqui propostas.

De qualquer modo, os autores Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior tiveram o brilhantismo de pincelar temas interessantes e destrinchá-los de forma bastante original, fazendo deste um dos livros mais legais sobre futebol a ocupar espaço aqui na minha prateleira.

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Resenha: Sócrates - biografia

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

RITA LEE: Uma Autobiografia (review)

RITA LEE sempre foi uma figura controversa no rock nacional. A forma como saiu dos Mutantes, desentendimentos com o Tutti Frutti (sua banda posterior), seu comportamento afrontador que a coloca como ícone feminista ainda que não se assumisse como tal, o estigma de ser "rockeira do sistema" por estar sempre na mídia. São muitos os aspectos de sua trajetória que renderiam horas de discussão. 


Tantas polêmicas por vezes acabaram atrapalhando a apreciação completa de sua obra, mas é inegávell sua importância. E o grande mérito dessa autobiografia é dissipar quaisquer dúvidas em relação a sua grandeza artística e também como uma daa principais figuras femininas da nossa história recente.

Escrito sem o auxílio de "ghost writer", como a própria autora faz questão de frisar, o livro é dividido em capítulos curtos, quase como uma coletânea de crônicas. A ordem cronológica não é muito rigída e a escrita jocosa e irônica contém lá sua literalidade, tornando a leitura bastante prazerosa.

A primeira parte descreve a infância de Rita Lee, o convívio familiar, os primeiros contatos com a música, entre outros aspectos pessoais dentre os quais há um chocante relato de um abuso sofrido aos seis anos de idade. 

Já na adolescência, as primeiras bandas, peripécias juvenis que já demonstravam o espírito zombeteiro que posteriormente seria marca registrada de sua carreira artística, o encontro com os irmãos Dias Baptista, o relacionamento com Arnaldo, tudo é desnudado de maneira sincera.
Sobre Os Mutantes, Rita é bastante dura em sua autocrítica. Embora não deixe de reconhecer o vanguardismo do grupo, os egos ao seu ver eram maiores que a sua arte. 

Quanto a sua carreira solo, Lee a esmiúça comentado disco por disco, turnê por turnê e até mesmo com um faixa a faixa, revelando detalhes dos bastidores, das parcerias e da inspiração de seus maiores hits.

Há episódios prosaicos e engraçados como o roubo das cobras de Alice Cooper, uma improvável "suruba progressiva" com o YES ou os "bauretz" de Tim Maia. Mas há também dramas pessoais como a prisão enquanto grávida do primeiro filho (e a ajuda imprenscindível de Elis Regina), perdas familiares pirações das mais diversas procedências e internações em "rehabs" (no caso, hospícios mesmo).

E é claro que boa parte dessas desventuras acontecem ao lado de seu grande amor e parceiro musical Roberto de Carvalho, uma espécie de contraponto às loucuras de Rita Lee.
Enfim, uma leitura altamente recomendada para todos que se interessam pelo que aconteceu na época mais criativa da música popular brasileira e, é claro, indispensável aos fãs da mais mutante de todos os mutantes.

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Resenha: Mujica - A Revolução Tranquila - Mauricio Rabuffetti

domingo, 18 de setembro de 2016

SÃO BENTO: Livro registra histórica campanha no Paulistão 2016

"São Bento: Retratos do Paulistão 2016" é o título do livro de autoria do fotógrafo Jesus Vicente e que registra a histórica campanha do São Bento no Paulistão 2016.


O livro registra de forma quase poética um dos melhores momentos da história do Azulão Sorocabano. Imagens reveladoras de uma paixão em azul e branco. Os embates com os chamados "grandes", a dedicação e a garra da equipe comandada por Paulo Roberto Santos, a vibração da torcida, os personagens que fazem o dia-a-dia do clube, tudo está lá captado pelas lentes do fotógrafo como um verdadeiro raio-x da alma beneditina. Revelações que só quem acompanha o clube profundamente nesses últimos quatro anos de seu "renascimento" (Jesus é fotógrafo e assessor de imprensa do clube desde 2012) poderia fazer.

Para os frequentadores habituais do Estádio Walter Ribeiro, há ainda o prazer de tentar se encontrar ou achar os amigos nas fotos, o que dá uma agradável sensação de "fazer parte da obra". 

Um livro essencial para todo são-bentista e também para aqueles que se interessam pela preservação da memória esportiva e cultural de Sorocaba.

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BENTÃO é SÉRIE C!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Resenha: 'Memórias do Heavy Metal', a autobiografia de Dave Mustaine (Megadeth)

Dave Mustaine é uma figura singular na história do rock, afinal, pouquíssimos músicos podem se orgulhar de ter criado (ou ajudado a criar) duas lendas da música pesada do quilate de Metallica e Megadeth. 
Por isso, sua autobiografia "Mustaine: Memórias do Heavy Metal", publicada em 2013, é uma leitura altamente relevante para os fãs de música pesada, especialmente se considerarmos que a banda comemora 30 anos de existência.
Em suas 360 páginas, Mustaine revela de forma bastante abrangente a gênese do que veio a ser conhecido como THRASH METAL. Discorre também sobre as diversas formações do Megadeth, sobre as entrelinhas de suas principais composições e sobre o fato de ser considerado um letrista "politizado". Nos ajuda a entender também a evolução e o modus operandi da indústria da música no decorrer das últimas três décadas. 
No nível pessoal, remexe suas feridas mais profundas ao abordar sua conflituosa relação familiar e sua kármica relação de amor e ódio com o Metallica e seus integrantes. Detalha sua rotina de usuário de drogas e suas 17 internações em clínicas de reabilitação. Revela sua admiração por Alice Cooper, que o fez ver como viver os extremos do rock'n'roll iria acabar com sua vida. Por fim, Mustaine relata sua conversão ao cristianismo e como isso ajudou a salvar seu casamento e sua carreira. 
Uma trajetória de altos e baixos como convém a todo grande astro do rock .

Veja também:
Dave Mustaine: cronista de um mundo violento

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Resenha: Mujica - A Revolução Tranquila - Mauricio Rabuffetti

"Mujica: A Revolução Silenciosa" do jornalista uruguaio Maurício Rabuffetti, apresenta a trajetória do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, de sua entrada na Frente de Libertação Nacional até sua eleição que o fez uma figura mundialmente reconhecida, especialmente por seu estilo de vida simples em um mundo em que políticos colocam o dinheiro acima de qualquer outro interesse coletivo.

O grande mérito da obra é abordar a história de Mujica de forma não-cronológica, mas analisando em cada capítulo diferentes aspectos desse cativante personagem. 


Assim, consegue manter um distanciamento crítico salutar, apresentando todas as virtudes de Mujica como grande pacifista e defensor dos direitos individuais, que levaram seu nome a ser cogitado ao Premio Nobel da Paz, mas também apontando os problemas "domésticos" que Mujica passou longe de resolver durante seu mandato como presidente, em uma passagem intitulada "santo de casa não faz milagre".


Com sólido embasamento histórico, o livro mostra a transformação do guerrilheiro que após anos de cárcere e tortura, manteve-se fiel a seus princípios de luta pela igualdade e optou por levar uma vida austera, provocando com seu exemplo uma revolução cultural que ultrapassou os limites de seu país.

Para isso, teve que abrir mão de certos radicalismos e apropriar-se da lógica capitalista para elaborar seu contra-discurso em relação à forma como a sociedade baseada no consumo está caminhando para uma hecatombe ecológica, além de produzir cidadãos frustrados por fazerem parte da engrenagem consumo-trabalho-consumo. 

Indiretamente, o livro ainda ajuda o seu leitor a ter uma visão mais ampla dos problemas enfrentados pelos países sul-americanos. No que diz respeito à temática deste blog, há também um registro da atuação de Mujica no episódio da "mordida" de Luís Suarez no italiano Chiellini na Copa 2014 no Brasil.

Uma leitura altamente recomendada a todos que querem conhecer mais a fundo um dos últimos grandes líderes latinos de nossa era.

Veja também:
Eduardo Galeano: um intelectual do futebol

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Poeta em Queda lança seu primeiro livro

"Fogos, Mares e Marias" é o título do primeiro livro do "Poeta em Queda", nome de palco de Pedro Alberto, artista sorocabano que tem se destacado na cena 'spoken word', na qual os artistas declamam os próprios poemas, tendo participado de diversos eventos literários e culturais no interior paulista e também na capital. 
O trabalho apresenta 12 poemas e ilustrações e terá sua versão impressa lançada no dia 18 de julho. A versão digital, porém, já encontra-se disponível gratuitamente em:

Para saber mais sobre o artista, curta a página do Poeta em Queda no Facebook: 

Veja também:
Resenha: Man on the Run - Paul McCartney nos anos 1970 (livro)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eduardo Galeano: um intelectual do futebol

A morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano nesta segunda-feira foi realmente algo para se lamentar. Historiador e ficcionista celebrado especialmente por sua obra "As veias abertas da América", entendeu e expressou como poucos o que de fato é ser sul-americano. 
Contudo, chamamos a atenção para o seu lado cronista que o fez debruçar sobre a mais sul-americana das paixões: o futebol. Seu livro "Futebol ao sol e à sombra" é leitura obrigatória para todos os que amam o esporte. 

Com grande sensibilidade, ele mergulha na história do futebol, no seu simbolismo, nos grandes jogos e nos grandes craques. Mas entre a poesia das grandes metáforas futebolísticas e das jogadas inesquecíveis há espaço para a crítica. Galeano também denuncia o descaso da história com o futebol enquanto expressão de identidade coletivas; critica o "futebol profissional" e sua homogeneização, a cartolagem e a "telecracia", como chama a influência das redes de televisão sobre o futebol. Isso tudo em uma obra de 20 anos e que preconizava muitos problemas que apenas se agravaram com o tempo.

"Eu fico com essa melancolia irremediável que todos sentimos depois do amor e do fim do jogo". Assim Galeano encerra o livro após justificar a sua motivação ao escrevê-lo. E assim é que imagino que estejam se sentindo aqueles que de uma forma ou outra se identificaram com a obra do autor. Mas só até o próximo jogo onde o "eu" se torna esse "nós" cósmico que é o torcedor de futebol e a euforia do grito de gol que ecoa na eternidade nos faça transcender e esquecer o luto. 

Veja também:
Resenha: 'Quando o futebol não é apenas um jogo' - Gustavo Hofman

sábado, 14 de março de 2015

Resenha: Man on the Run - Paul McCartney nos anos 1970 (livro)


Paul McCartney é inegavelmente uma das figuras mais importante da música de todos os tempos, e assim o seria mesmo que tivesse encerrado sua carreira após a separação dos Beatles.


No entanto, a sua personalidade criativa não permitiu que ele vivesse à sombra de sua ex-banda, embora jamais tenha deixado de desfrutar dela.

Mas se a trajetória dos Beatles é muito bem documentada e difundida, a carreira de Paul McCartney pós-Beatles ainda tem muito a nos dizer.

E uma leitura obrigatória para quem se interessa pela história da 'Beatlemania' é esse livro "Man on the run - Paul McCartney nos anos 1970", do jornalista Tom Doyle.

O livro resgata o crucial momento da separação dos Fab-four, a depressão de Paul com o fim da banda e sua resposta ao mundo com a criação do WINGS, abordando todo o desenvolvimento da banda, inclundo relatos detalhados da criação e da gravação da obra-prima "Band on the Run".

O livro também aborda aspectos pessoais da vida de McCartney, como seu relacionamento com a esposa e parceira de banda Linda McCartney e as brigas públicas com seu eterno ex-parceiro John Lennon. Há também o registro de episódios pitorescos, como a prisão de Paul no Japão, em 1980, por porte de maconha.

A série de relatos tem fim com o trágico assassinato de Lennon e a dissolução do Wings. O texto é bem fluido e o autor intercala seu relato com declarações de pessoas que vivenciaram essa fase, além de usar depoimentos do próprio ex-Beatle. E complementando as ricas informações de seu texto, traz ainda fotos históricas do período.

Uma obra que humaniza o mito, mostrando um homem obstinado em fazer o seu melhor e a se reinventar artisticamente, atitudes infelizmente raras no mainstream.

Veja também:
Review: Paul McCartney - Out There Tour (Allianz Parque - São Paulo - 25/11/2014)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Resenha: 'Quando o futebol não é apenas um jogo' - Gustavo Hofman

Em seu primeiro livro, o jornalista Gustavo Hofman (ESPN) nos convida a uma viagem pelo lado insólito do futebol europeu, com histórias que justificam o título "Quando o Futebol não é apenas um jogo". 

Em capítulos independentes e numa prosa bem fluente, são apresentadas curiosas façanhas futebolísticas, como a do time galês que tem o maior (e 'impronunciável') nome do mundo, a rivalidade do extremo leste russo, o futebol que semeando esperança em meio à guerra na Sérvia ou à revolução na Líbia, a complexa relação entre futebol e política, e a impressionante história de resistência ao futebol moderno do austríaco Salzburg, entre outros registros de situações que só o futebol proporciona. 

Embora algumas dessas histórias talvez sejam até conhecidas, o diferencial do livro é que seu autor esteve na maioria dos lugares do qual fala, o que confere aos relatos bastante personalidade. O livro conta ainda com fotos bem legais que dão uma boa dimensão de tudo que é descrito.

Uma leitura leve e interessantíssima para quem aprecia o lado cultural e histórico do futebol.

Veja também:
FC Santa Claus: o time de futebol do Papai Noel

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Resenha: 'My bloody roots', a autobiografia de Max Cavalera

My bloody roots O Brasil não é lá muito famoso por respeitar sua história e a memória de seus ídolos. Por isso mesmo 'My bloody roots', a autobiografia de Max Cavalera lançada em Português no início de 2014, é um livro bastante oportuno.

Lendo suas páginas lembramos de um fato que anda bastante esquecido: Max Cavalera é o maior nome da história do metal nacional. E se por um instante conseguíssemos deixar qualquer preconceito de lado, chegaríamos a conclusão de que Max é também um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos. 
Começando com os relatos de sua infância e a perda precoce de seu pai, seu envolvimento com a umbanda, religião de sua mãe e os primeiros anos do Sepultura, quando sequer conseguia afinar sua guitarra, Max demonstra o tortuoso caminho até a gravação de seu primeiro disco e a sua obstinação em subir um degrau de cada vez até o estrelato mundial, consolidado com o magnífico Chaos A.D. 

Os bastidores da gravação de 'Roots' são muito curiosos, bem como a repercussão de sua estrondosa popularidade que fez do Sepultura uma das bandas do primeiro escalão mundial. A partir daí, infelizmente, as relações pessoais entraram em declínio, o Sepultura se separou, e Max afundou-se gradativamente no álcool e outros vícios, momentos difíceis por ele detalhados. 

Mas nem tudo se resume a dramas pessoais e ao Sepultura. Há histórias divertidas dos encontros de Max com seus ídolos de infância, como Ozzy e Lemmy do Motorhead, da amizade com outros rockstars contemporâneos, das 'tretas' nas turnês e da gênese do Nailbomb, Soulfly e Cavalera Conspiracy, entre outras histórias em que Max expõe seu lado familiar e até espiritual. Obviamente reviver essa fase através de suas palavras reacende diversas polêmicas.

A principal delas é que o Sepultura sempre foi o sonho do Max, e por mais qualidade que a banda possa ter apresentado desde a sua separação, ainda é difícil superar essa mancha em sua história. Mas essas são conclusões que cada leitor deverá tirar. O mais importante é o registro de uma das partes mais importantes da história do metal nacional, o que faz do livro leitura obrigatória para os amantes de música pesada.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Capa da biografia de Paul Stanley

As biografias de ícones do rock continuam em alta. E um grande nome que logo estará também nas prateleiras das livrarias é Paul Stanley (Kiss) com "Face the Music - A life exposed", cuja capa foi finalmente revelada:
Como tudo que leva o nome Kiss gera grande interesse, parece que estamos diante de um novo best-seller. O livro tem lançamento previsto para abril.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lobão: O Manifesto do Nada na Terra do Nunca (resenha)

Em "O Manifesto do Nada na Terra do Nunca", Lobão apresenta artigos que revelam a sua sempre ácida crítica.

Os temas giram em torno do atual panorama político e cultural em que vivemos e suas origens históricas e abordados em meio a relatos de algumas experiências pitorescas do autor.

Através de um estilo bastante direto, Lobão traça um verdadeiro resgate da história do bundamolismo da arte nacional, que para ele teve início com o antropofagismo de Oswald de Andrade e dos modernistas da semana de 22 e cujos ideais artísticos ecoaram (e ainda ecoam...) em um isolamento do Brasil frente a herança cultural européia, e posteriormente, à influência norte-americana, tudo em nome de um nacionalismo raso e um projeto de nação equivocado.

Lobão também relata sua dificuldade em alinhar-se politicamente no passado, a sua aproximação e posterior decepção com o Partido dos Trabalhadores e sua preocupação com os atuais rumos do país e com os "patrulheiros ideológicos" que se multiplicam aos montes nas redes sociais e tratam qualquer manifestação política com uma paixão quase futebolística, impossibilitando o debate com atitudes nada democráticas.

O único ponto negativo ao meu ver, fica por conta do capítulo final, dedicado a um hipotético diálogo com Oswald Andrade. Embora seja esse o fio condutor do livro, o texto acaba sendo um pouco enfadonho, repetindo ideias apresentadas em capítulos anteriores.

Ao abordar temas espinhosos sem muita pretensão, como fica claro no título do livro, Lobão conseguiu produzir um livro de fácil leitura e adequado a quem gosta de uma boa provocação.

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