"Fogos, Mares e Marias" é o título do primeiro livro do "Poeta em Queda", nome de palco de Pedro Alberto, artista sorocabano que tem se destacado na cena 'spoken word', na qual os artistas declamam os próprios poemas, tendo participado de diversos eventos literários e culturais no interior paulista e também na capital.
O trabalho apresenta 12 poemas e ilustrações e terá sua versão impressa lançada no dia 18 de julho. A versão digital, porém, já encontra-se disponível gratuitamente em:
O título que a princípio pode soar pretensioso é
na verdade uma grande ironia. Numa época de downloads caracterizada pela imaterialidade do
'produto' do músico, o "Disco do Ano" se destaca também pelo ótimo trabalho gráfico, que
inclui dois encartes com as letras das músicas, e o próprio cd reproduz a aparência de um disco de
vinil. E é nesse diálogo entre antigo e moderno, entre o dito e o não-dito que se constrói a poética
do Baleiro.
O jogo de palavras (O amor é uma/ brasa mora /dentro
do meu coração”, em “O amor viajou”), as referências pop (“O sonho de Lennon
morreu / O meu não”, em “Felicidade pode ser qualquer coisa”), a incorporação
de maneirismos tecnológicos à linguagem cotidiana (“O hype dos ringtones / o
megahit no youtube”, em “Mamãe no Face”), enfim, todos os elementos que lhe são
peculiares encontram-se novamente presentes.
A temática sentimental predomina, hora mais introspectiva,
hora jocosa, refletindo aspectos das relações pessoais em tempos de redes sociais
(“Vou excluir você do meu Facebook“, na faixa “Meu amigo Enock”). Mas há espaço para a
crítica aos valores da sociedade de consumo como em “O Desejo” (“Você é feliz
ma non troppo / Porque nenhum bem lhe basta / E a falta a falta a falta / sua
vida devassa”).
Musicalmente, o mesmo balaio de ritmos de
sempre, desta vez tendo um produtor para cada faixa.
Pode não ser o “Disco do ano”, mas trata-se de
uma obra que merece ser ouvida. Não importa o formato.