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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Resenha: 'Quando o futebol não é apenas um jogo' - Gustavo Hofman

Em seu primeiro livro, o jornalista Gustavo Hofman (ESPN) nos convida a uma viagem pelo lado insólito do futebol europeu, com histórias que justificam o título "Quando o Futebol não é apenas um jogo". 

Em capítulos independentes e numa prosa bem fluente, são apresentadas curiosas façanhas futebolísticas, como a do time galês que tem o maior (e 'impronunciável') nome do mundo, a rivalidade do extremo leste russo, o futebol que semeando esperança em meio à guerra na Sérvia ou à revolução na Líbia, a complexa relação entre futebol e política, e a impressionante história de resistência ao futebol moderno do austríaco Salzburg, entre outros registros de situações que só o futebol proporciona. 

Embora algumas dessas histórias talvez sejam até conhecidas, o diferencial do livro é que seu autor esteve na maioria dos lugares do qual fala, o que confere aos relatos bastante personalidade. O livro conta ainda com fotos bem legais que dão uma boa dimensão de tudo que é descrito.

Uma leitura leve e interessantíssima para quem aprecia o lado cultural e histórico do futebol.

Veja também:
FC Santa Claus: o time de futebol do Papai Noel

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Resenha: 'My bloody roots', a autobiografia de Max Cavalera

My bloody roots O Brasil não é lá muito famoso por respeitar sua história e a memória de seus ídolos. Por isso mesmo 'My bloody roots', a autobiografia de Max Cavalera lançada em Português no início de 2014, é um livro bastante oportuno.

Lendo suas páginas lembramos de um fato que anda bastante esquecido: Max Cavalera é o maior nome da história do metal nacional. E se por um instante conseguíssemos deixar qualquer preconceito de lado, chegaríamos a conclusão de que Max é também um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos. 
Começando com os relatos de sua infância e a perda precoce de seu pai, seu envolvimento com a umbanda, religião de sua mãe e os primeiros anos do Sepultura, quando sequer conseguia afinar sua guitarra, Max demonstra o tortuoso caminho até a gravação de seu primeiro disco e a sua obstinação em subir um degrau de cada vez até o estrelato mundial, consolidado com o magnífico Chaos A.D. 

Os bastidores da gravação de 'Roots' são muito curiosos, bem como a repercussão de sua estrondosa popularidade que fez do Sepultura uma das bandas do primeiro escalão mundial. A partir daí, infelizmente, as relações pessoais entraram em declínio, o Sepultura se separou, e Max afundou-se gradativamente no álcool e outros vícios, momentos difíceis por ele detalhados. 

Mas nem tudo se resume a dramas pessoais e ao Sepultura. Há histórias divertidas dos encontros de Max com seus ídolos de infância, como Ozzy e Lemmy do Motorhead, da amizade com outros rockstars contemporâneos, das 'tretas' nas turnês e da gênese do Nailbomb, Soulfly e Cavalera Conspiracy, entre outras histórias em que Max expõe seu lado familiar e até espiritual. Obviamente reviver essa fase através de suas palavras reacende diversas polêmicas.

A principal delas é que o Sepultura sempre foi o sonho do Max, e por mais qualidade que a banda possa ter apresentado desde a sua separação, ainda é difícil superar essa mancha em sua história. Mas essas são conclusões que cada leitor deverá tirar. O mais importante é o registro de uma das partes mais importantes da história do metal nacional, o que faz do livro leitura obrigatória para os amantes de música pesada.

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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lobão: O Manifesto do Nada na Terra do Nunca (resenha)

Em "O Manifesto do Nada na Terra do Nunca", Lobão apresenta artigos que revelam a sua sempre ácida crítica.

Os temas giram em torno do atual panorama político e cultural em que vivemos e suas origens históricas e abordados em meio a relatos de algumas experiências pitorescas do autor.

Através de um estilo bastante direto, Lobão traça um verdadeiro resgate da história do bundamolismo da arte nacional, que para ele teve início com o antropofagismo de Oswald de Andrade e dos modernistas da semana de 22 e cujos ideais artísticos ecoaram (e ainda ecoam...) em um isolamento do Brasil frente a herança cultural européia, e posteriormente, à influência norte-americana, tudo em nome de um nacionalismo raso e um projeto de nação equivocado.

Lobão também relata sua dificuldade em alinhar-se politicamente no passado, a sua aproximação e posterior decepção com o Partido dos Trabalhadores e sua preocupação com os atuais rumos do país e com os "patrulheiros ideológicos" que se multiplicam aos montes nas redes sociais e tratam qualquer manifestação política com uma paixão quase futebolística, impossibilitando o debate com atitudes nada democráticas.

O único ponto negativo ao meu ver, fica por conta do capítulo final, dedicado a um hipotético diálogo com Oswald Andrade. Embora seja esse o fio condutor do livro, o texto acaba sendo um pouco enfadonho, repetindo ideias apresentadas em capítulos anteriores.

Ao abordar temas espinhosos sem muita pretensão, como fica claro no título do livro, Lobão conseguiu produzir um livro de fácil leitura e adequado a quem gosta de uma boa provocação.

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sábado, 20 de abril de 2013

Resenha: Skid Row: United World Rebellion Chapter One

O Skid Row está de volta! Com o lançamento do EP United World Rebellion (Chapter 1 - ouça no player abaixo), o terceiro trabalho de estúdio com Johnny Solinger nos vocais a banda parece ter retomado um pouco da sonoridade que a levou ao topo, ainda com Sebastian Bach aos vocais. Não que os outros dois álbuns com Solinger sejam ruins, pelo contrário. Tanto 'Thickskin' (2003) quanto 'Revolutions per Minute' (2006), possuem grandes músicas, mas mostravam uma banda que ainda lutava para se desvinciliar (em vão) do fantasma chamado Sebastian Bach, buscando uma sonoridade mais contemporânea mas que às vezes parecia um tanto confusa, tamanha a diferença entre as faixas (especialmente no 'RPM'). 
Ouvindo as 5 faixas de United World Rebellion (Chapter 1) o que se percebe é uma coesão maior entre as mesmas, unindo o melhor das características das duas 'fases' da banda. Solinger é sim um grande vocalista, e já é tempo de se cessarem as comparações com seu predecessor.     


Faixa a Faixa


01. Kings of Demolition: Sem dúvida o destaque do EP. Lembra muito as músicas do "Slave to the Grind", sem soar datada. Letra e refrão empolgantes. Um novo clássico no repertório da banda!

02. Let's Go: Apesar do hard rock praticado pela banda, o Skid Row não raro 'flertou' com o punk rock e um pouco dessa atitude se percebe nessa faixa rápida e empolgante.

03. This is killing me. Uma balada ao estilo clássico das bandas de Hard Rock dos anos 90, com direito a introdução acústica e tudo mais. A mais 'pop' das 5 faixas.

04. Get up: Faixa um pouco mais 'cadenciada' com um grande coro e riffs 'sujos'. 

05. Stiches. A última faixa do EP fecha bem com a primeira em termos de sonoridade, com um ótimo trabalho das guitarras. 

Formação atual:

Johnny Solinger (voz), &Snake Sabo (guitarra); Rachel Bolan (baixo), Scott Hill (guitarra) e Rob Hammersmith (bateria).

Veja também:
Skid Row: 'Kings of Demolition' ao vivo (vídeo)