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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Livros: Torto Arado, de Itamar Vieira Jr.


Uma das minhas resoluções para este ano era voltar a ler ficção, pois estava muito focado em livros técnicos sobre educação e biografias.

Uma das obras escolhidas para tanto foi Torto Arado, aclamado livro de Itamar Vieira Jr.

A obra de 2019 trata de temas urgentes na nossa sociedade, como a questão racial e a formação do nosso povo a partir do fim da escravidão, as disputas por terra e a transformação de um mundo rural e místico.

As personagens principais são bens construídas e o texto flui de forma bastante agradável. Apesar da temática, o autor consegue fugir da armadilha dos regionalismos excessivos, dando a obra uma universalidade maior, deixando-a bastante acessível ao leitores contemporâneos.

Abaixo uma breve sinopse para quem tiver interesse em saber mais detalhes sobre esse novo clássico da nossa literatura.

Torto Arado - Breve Sinopse

A história de Torto Arado se passa no sertão baiano e gira em torno das irmãs Bibiana e Belonísia. Um incidente ocorre quando elas encontram uma faca misteriosa na mala da avó, e a partir desse momento, suas vidas se entrelaçam de forma inextricável. O autor destrincha o universo de trabalhadores rurais descendentes de escravizados, revelando as dificuldades enfrentadas por esse grupo geração após geração.

A história se desenrola na fictícia fazenda Água Negra, na Chapada Diamantina, e acompanha as protagonistas desde a infância até a vida adulta. A família das irmãs vive em uma situação análoga à escravidão, sem direito à terra, moradia digna ou sequer aos alimentos que plantam e cuidam nos arredores da casa. O latifúndio e o trabalho servil são pano de fundo da narrativa, que oferece um retrato da realidade vivida por brasileiros que parecem ter sido esquecidos, seja em termos políticos, econômicos ou sociais. 

Há ainda o aspecto místico da religiosidade de matriz africana que conferem a obra ares fantásticos e são responsáveis por alguns dos momentos mais interessantes da trama. 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ferreira Gullar: o Poeta e o Gol

Mais uma notícia triste nessa semana com a divulgação do falecimento do poeta Ferreira Gullar. O poeta de 86 anos tinha vasta obra e uma grande identificação com o futebol (jogou nas categorias de base do Sampaio Côrrea; era vascaíno declarado e foi grande amigo de Canhoteiro, ídolo do São Paulo nos anos 50 e 60). Confira abaixo o poema "O Gol" em que Gullar com muita sensibilidade descreve o mais espetacular momento do futebol: 


O Gol
Ferreira Gullar

                                               A esfera desce
                                               do espaço
                                                      veloz
                                               ele a apara
                                               no peito
                                               e a pára
                                               no ar
                                                      depois
                                               com o joelho
                                               a dispõe a meia altura
                                               onde
                                               iluminada
                                               a esfera
                                                    espera
                                               o chute que
                                               num relâmpago
                                               a dispara
                                                 na direção
                                                 do nosso
                                                 coração.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eduardo Galeano: um intelectual do futebol

A morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano nesta segunda-feira foi realmente algo para se lamentar. Historiador e ficcionista celebrado especialmente por sua obra "As veias abertas da América", entendeu e expressou como poucos o que de fato é ser sul-americano. 
Contudo, chamamos a atenção para o seu lado cronista que o fez debruçar sobre a mais sul-americana das paixões: o futebol. Seu livro "Futebol ao sol e à sombra" é leitura obrigatória para todos os que amam o esporte. 

Com grande sensibilidade, ele mergulha na história do futebol, no seu simbolismo, nos grandes jogos e nos grandes craques. Mas entre a poesia das grandes metáforas futebolísticas e das jogadas inesquecíveis há espaço para a crítica. Galeano também denuncia o descaso da história com o futebol enquanto expressão de identidade coletivas; critica o "futebol profissional" e sua homogeneização, a cartolagem e a "telecracia", como chama a influência das redes de televisão sobre o futebol. Isso tudo em uma obra de 20 anos e que preconizava muitos problemas que apenas se agravaram com o tempo.

"Eu fico com essa melancolia irremediável que todos sentimos depois do amor e do fim do jogo". Assim Galeano encerra o livro após justificar a sua motivação ao escrevê-lo. E assim é que imagino que estejam se sentindo aqueles que de uma forma ou outra se identificaram com a obra do autor. Mas só até o próximo jogo onde o "eu" se torna esse "nós" cósmico que é o torcedor de futebol e a euforia do grito de gol que ecoa na eternidade nos faça transcender e esquecer o luto. 

Veja também:
Resenha: 'Quando o futebol não é apenas um jogo' - Gustavo Hofman

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Os 130 anos da morte de Franz Kafka

Quando o nome de um escritor se torna um adjetivo e esse adjetivo praticamente designa um novo estilo você tem uma medida da importância histórica de sua obra. É o caso de Franz Kafka, falecido a exatos 130 anos.

Mais do que o escritor que escreveu a história de um sujeito que se transforma em uma barata, uma leitura superficial que se faz da história de Gregor Samsa em “A Metamorfose”, Kafka lapidou um estilo em que o absurdo das relações humanas e suas angústias e a impotência diante de situações que são maiores que nossas forças são visto com a lente do exagero, do fantástico. E nenhuma palavra descreve melhor esse jogo do absurdo que o adjetivo kafkiano.
Kafka que era Checo de nascimento, viveu na Áustria e escreveu sua obra em alemão. Mas poderia muito bem ser brasileiro, afinal poucos países são tão absurdos quanto o Brasil.
Falando do aspecto mais pop dessa imaginária relação entre Kafka e Brasil, nos anos 80 o escritor chegou a receber uma ‘homenagem’ pop rock da banda Inimigos do Rei, banda da qual fez parte o composito Paulinho Moska (os mais ‘experientes’ certamente lembram) em uma canção chamada “Uma barata chamada Kafka”, que brincava com a premissa de “A Metamorfose” e tinha um trocadalho do carilho no refrão. Um verdadeiro clássico dos anos 80, numa época em que o pop sem dúvidas tinha algum conteúdo:
Veja também:
121 anos de J.R.R. Tolkien

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

121 anos de J.R.R. Tolkien

Se estivesse vivo John Ronald Reuel Tolkien (03/01/1892 - 02/07/1973), autor de O Senhor dos Anéis & O Hobbit, completaria hoje 121 anos.
Sua rica obra inspirou diversas outras (inclusive na música) e definiu o gênero fantasia. Por isso, não poderia deixar de fazer uma menção a data. 
Aproveitando a ocasião, convido-os para lerem o relato de quando visitei Oxford, Reino Unido, percorrendo alguns dos lugares onde Tolkien viveu e também visitando o local onde ele se encontra sepultado (clique aqui e confira).

Veja também:

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Aventuras na Terra de Tolkien

Aproveitando a estreia de "O Hobbit" compartilho com vocês uma experiência incrível que tive em meados de 2011 e que está diretamente ligada ao glorioso John Ronald Reuel Tolkien, autor das aventuras Bilbo e também da trilogia do anel.

Não, não estive na Terra Média, mas em Oxford, Reino Unido, onde Tolkien passou boa parte de sua vida e onde se encontra sepultado. 
Oxford é mundialmente famosa devido a sua Universidade, fundada em 1231 e uma das mais tradicionais do mundo, famosa não só pelo ensino, mas também devido a espetacular arquitetura de seus Colleges (os 'prédios' das faculdades que compõe a Universidade). Em um deles, o Exeter College, onde Tolkien estudou, há um busto em homenagem. 
Outro ponto importante no que se refere a Tolkien é o pub (como são chamados os tradicionais bares ingleses) The Eagle and Child. Era lá que Tolkien se reunia com amigos intelectuais conhecidos como "Inklings". 
Entre eles, estava C.S. Lewis, outro importante nome da ficção de fantasia, autor das "Crônicas de Nárnia". o que faz do pub uma atração à parte.
Por último, um episódio bastante pitoresco. Juntamente com dois outros estudantes estrangeiros que conheci em Oxford, um checo e outro espanhol, partimos para uma visita ao Wolvercote Cemetary, cemitério onde Tolkien está enterrado. 

Carta de um fã que
encontramos junto ao
túmulo de Tolkien.
Por se tratar do lugar de repouso de uma celebridade internacional, esperávamos algo como um monumento junto a sua sepultura, mas encontramos algo muito simples e relativamente mal cuidado. Uma espécie de jardim com uma lápide e se não fosse pelos presentes dos fãs (exemplares e outros itens referentes a 'O Senhor dos Anéis') ninguém diria que ali repousa um dos mais importantes escritores do planeta.
Desapontados com o descaso, resolvemos nós mesmos dar "uma geral" no túmulo de Tolkien que ficou bem melhor, como você confere no "antes e depois" das fotos abaixo.
As pessoas se orgulham do que simboliza algo para elas. Esses episódios talvez sejam irrelevantes para alguns, mas para mim representam muito. 

"Nem todos os que vagueiam estão perdidos", escreveu Tolkien. E vagando por Oxford muita coisa eu encontrei...

Veja também:
"O Homem de Aço": trailer do novo filme do Superman