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domingo, 19 de junho de 2022

Stranger Things e o poder da música

 


Um dos muitos segredos do sucesso de Stranger Things está na estética retrô, reforçada pela trilha sonora recheadas de clássicos do pop e do rock dos anos 80.

Do "Should I Stay or Should I Go?" (The Clash) da primeira temporada, passando pela "Runaway" (Bon Jovi) Eleven na segunda e muito hard rock farofa com o personagem Billy na terceira, além de um trailer maravilhoso da 4ª temporada com um versão remixada de "Separate Ways" do Journey, são muitos momentos marcantes em que a música reforçou a narrativa (incluindo a performance de "The NeverEnding Story" com Dustin e Susie no final da terceira temporada).

O ápice no entanto ocorreu na 4ª temporada, já que o ponto fraco do monstrão Vecna é a música e a canção favorita é o único elo que consegue impedir que ele controle a mente de suas vítimas.

E a cena épica em que a personagem Max é salva pela canção "Running up that hill (a deal with God)" da Kate Bush foi disparada a melhor da primeira parte dessa temporada.

Na sequência belíssima, Max foge de Vecna em um cenário de pesadelos ao som de sua música favorita. Além da importância no contexto da série, a cena possui uma segunda camada de sentido que levou muitos fãs a comentarem nas redes sociais de como se identificaram em sua luta interna contra a depressão. 



Tal leitura faz todo sentido, já que Vecna escolhe justamente vítimas fragilizadas pela culpa, pelo medo, pela rejeição, pelo luto e toda sorte de sentimentos negativos. 

O efeito terapêutico da música em casos de depressão e no auxílio à boa saúde mental é muito bem documentado (LEIA AQUI). Obviamente, não substitui o trabalho de um bom profissional, mas o seu valor parece inegável . 

Não sei se a intenção dos roteiristas era passar essa mensagem sobre o "poder da música", mas acabaram por transmiti-la brilhantemente. 

Particularmente, a música já me ajudou a vencer muitos "monstros" internos e é uma motivação constante na minha vida. 

Que o desfecho da temporada traga nova emoções e que nos surpreenda com mais grandes canções.   



sábado, 3 de julho de 2021

Pintaram Baltasar Fernandes de Vermelho

Ontem, em Sorocaba, tacaram tinta vermelha na estátua do Baltasar Fernandes. Era um protesto contra a PL 490 que retira direitos de indígenas às suas terras.

Vi em uma rede social, muita revolta contra o vandalismo dessas pessoas que "não respeitam a história".


A maioria das pessoas não conseguiu entender o que uma coisa tinha a ver com a outra. Sequer pareciam entender que o vermelho representava o sangue dos índios. Acho que nunca ouviram falar que o célebre fundador da cidade caçava índios por aí.

Esse é um ponto controverso da história e esse fato local pode ser visto também como um desdobramento de outras manifestações globais.

Nessa semana, na Colômbia, derrubaram uma estátua de Cristovão Colombo e a arrastaram pelas ruas.

No Canadá, depois dos escândalos sobre crianças indígenas mortas e torturadas para abandonar sua cultura, também muita revolta contra o passado colonialista. Estátuas da Rainhas foram o alvo das manifestações. Igrejas também foram queimados (link abaixo).

Durante os protestos "Black lives matter" estátuas de mercadores de escravos foram vandalizadas. Em Bristol, na Inglaterra, uma delas foi parar no fundo do rio.

Aqui no Brasil, ainda temos a estranha tradição de homenagear episódios e personagens não tão gloriosos do passado, dando seus nomes a ruas, praças, avenidas e rodovias.

Não é possível passar uma borracha em tudo. Educar melhor as gerações futuras para que possam entender esse passado tão "cringe" talvez seja o único caminho.

domingo, 20 de junho de 2021

O 'Comando Genocida' e as 500 mil mortes

Minha grande a alegria essa semana foi ter tomado a primeira dose da vacina contra o Covid-19.

A tristeza foi constatar que milhares de brasileiros não tiveram essa oportunidade.

Assim, nosso país ultrapassou a marca dos 500 mil mortos devido ao Coronavírus e seus "aliados"  que trabalharam e trabalham pela desinformação, colocando-se contra a ciência com seu negacionismo estúpido.

Muitos foram as ruas neste sábado contra essa política genocida daquele que não merece nem ser mencionado. Mas a indignação certamente é maior do que a que se vê nas ruas (aliás, se você não está indignado com a situação do país, você está errado).

Apesar do avanço da vacinação, a situação ainda é bastante ruim. 

Redobre os cuidados. 

Proteja quem você ama. 

Defenda a Ciência. 

Indigne-se.

Falando em indignação, finalizo com a música "Genocidal Command" da banda Nervosa, um verdadeiro hino para os nossos tempos. Como advertem as meninas: "é hora de combater a morte":

sábado, 29 de maio de 2021

Como explicar os Roqueiros Reaças?



O pop rock nacional hoje em dia é praticamente irrelevante no mainstream, dominado por tendências que não nos dizem respeito. Mas de vez em quando uma treta ou outra dá uma animada nas coisas.

Uma das exceções que tem feito relativo sucesso é o Detonautas do vocalista Tico Santa Cruz que tem adotado um tom satírico e crítico ao governo atual com músicas com títulos como "Kit gay" e "Micheque".

A última pedra no vespeiro é a música "Roqueiro Reaça", uma crítica aos colegas de profissão que contraditoriamente abraçam posições "conservadoras" ou mesmo diante do caos ainda acham uma boa ideia usar seu escasso prestígio para defender o governo (ouça no player abaixo).

O recado parece ser endereçado a Digão dos Raimundos, com quem Tico tem batido boca constantemente, mas sabemos que tem muita gente assim por aí.


Infelizmente, o rock no Brasil sempre teve um pé no reacionarismo, nem tanto pelas bandas nacionais, mas porque por muito tempo o rock se colocou como contraponto a aspectos da cultura popular nacional, como o Carnaval, por exemplo. Sempre foi comum um roqueiro criticar o sexismo do carnaval, do axé, do funk, etc. e esquecer que banda seminais do rock como Ac/dc e Led Zeppelin sempre foram sexistas.

De certa forma, essa "rebeldia" não se limitou ao aspecto estético, mas acabou empurrando o agora envelhecido roqueiro br para uma espécie de conservadorismo amargurado. 

Esta hipótese talvez explique como é que conseguem se alinhar a grupos que em um passado não tão distante lutariam para censurar seus discos favoritos. Ou será que Digão acha que o conteúdo dos primeiros discos do Raimundos seria aprovado por um comitê de pais conservadores, como os que criaram nos EUA o Parents Music Resource Center que nos anos 80 tentou banir vários artistas do rock pelo conteúdo "inapropriado" de suas canções? 

O processo, que foi parar no senado americano, ouviu músicos como Dee Snider e Frank Zappa, que defenderam a liberdade de expressão. O episódio culminou com o famoso selo "Parental advisory: Explicit Lyrics" (algo como: "aviso aos pais: letras explícitias") que passou a estampar as capas de discos vendidos nos EUA. 

Talvez um pouquinho de conhecimento de história ou de compreensão das letras das próprias bandas ajudasse a evitar esses constrangimentos. 

Os próprios Ramones, influência direta para os Raimundos do "ramones raiz" Digão, gravaram a música "Censorshit" na qual abordam diretamente esse episódio (veja no player abaixo vídeo com a tradução da música).



A Tipper citada na música dos Ramones é Tipper Gore, ex-esposa do ex-vice presidente americano Al Gore, que mal comparando foi uma Damares da época, liderando esse movimento bizarro pela censura. Curiosamente, embora nos EUA a paranoia conservadora tenha descambado no "trumpismo" Republicano, Tipper era Democrata.  

Essa história foi muito marcante nos EUA e por mais de uma década Tipper Gore e o Parental Music Resource Center serviram de inspiração para letras e protestos de bandas e artistas tão díspares quanto Aerosmith e Rage Against the Machine ou Dead Kennedys e Eminem.

Diante do bipartidarismo norte-americano, isso talvez isso nos ajude a entender um pouco como alguns músicos e fãs de rock e metal se inclinaram recentemente ao trumpismo.  Serve de alerta também para o fato de o conservadorismo ser uma força que pode se apropriar de diferentes correntes políticas, já que se pauta pelos costumes.

Nossa hipótese é que essa dinâmica binária de forças excludentes empurraram, em alguns casos talvez até de forma inconsciente, os roqueiros para o reacionarismo, fato realçado pelo ambiente político polarizado e amplificado pelas viciadas redes sociais. 

Uma pena que seja assim.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

2 de Abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. 

O Transtorno do Espectro do Autismo se refere a um conjunto de fatores que afetam o neurodesenvolvimento. 

Embora seja associado a crianças, o Autismo se manifesta na infância, mas é um condição que acompanhará o indivíduo durante toda a vida. Por isso, vários tipos de suporte são necessários de acordo com o grau de comprometimento apresentado. Por se tratar de um espectro, há desde casos levíssimos que podem vir mesmo acompanhado de superdotação, até casos em que há maior necessidade de apoio para que o autista realize tarefas básicas.

Sinais comuns do autismo envolvem comportamento repetitivo e restritivo, crises sensoriais (por exemplo, intolerância ao toque, a ruídos, sobrecarga causada por excessos de informações), dificuldades de comunicação ou no desenvolvimento da fala.

Pais e professores devem estar sempre atentos e procurar ajuda especializada aos primeiros sinais para que as intervenções necessárias sejam realizadas, garantindo assim maior qualidade de vida à criança.

Infelizmente o número de profissionais especializados é pequeno e as terapias são caras, tornando urgente que se discutam políticas públicas que garantam maior acesso a esses serviços.

Aproveite a data para refletir além dos estereótipos.

Inclusão é uma questão de cidadania e dever de toda a sociedade.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Ditadura Nunca Mais!

 

Há no Brasil alguns fantasmas ainda não exorcizados.


Um deles é o Golpe Militar de 64. 


Página vergonhosa da nossa história que alguns tratam com eufemismos.


A sua "celebração" e a tentativa de reescrever a história explicam como é que chegamos à catástrofe que vivemos atualmente.


Aos bons soldados todo o meu respeito. Mas Ditadura nunca mais! 

sábado, 28 de março de 2015

Rachel Sheherazade, Paulo Freire e o debate público sobre a qualidade da Educação


Fugindo um pouco dos nossos temas habituais, dedico essa postagem para falar um pouco sobre o 'debate' público que anda ocorrendo nas redes sociais e que envolve a educação brasileira. Para a jornalista RACHEL SHEHERAZADE (Rádio Jovem Pan/SBT), segundo publicado em seu perfil no Facebook (leia AQUI e AQUI), a culpa da falta de qualidade da EDUCAÇÃO é da IDEOLOGIZAÇÃO dos professores inspirados especialmente por PAULO FREIRE (1921-1997), um pensador de esquerda e cujo trabalho sempre se pautou no empoderamento das classes desfavorecidas, em um discurso plenamente de acordo com as necessidades de um país recém-saído da ditadura e com diferenças sociais ainda mais gritantes nos anos 80 e 90. 


Muito conveniente ela propagar isso nas redes sociais num momento em que os professores da rede estadual de São Paulo articulam sua GREVE. Então a falta de estrutura, investimento, políticas educacionais consistentes entre outros sem número de fatores são secundários frente as convicções ideológicas dos professores (se é que elas de fato existem)? Além disso, jornais como Folha e Estadão publicaram editorais tentando levar a opinião pública a crer que os professores engajados em lutas por melhorias para educação pública são vilões. Ou seja, mais uma vez a mídia se coloca contra os professores. Espero que pelo menos vocês amigos que estão lendo isso estejam ao lado dos que defendem a educação de verdade.

Veja também:
Futebol nas Manifestações: O legado da Copa

domingo, 5 de outubro de 2014

Como é bom viver em uma democracia



Tem gente que só reclama do Brasil, dos políticos, das eleições, etc. Mas hoje, domingo, dia das eleições, meu sentimento é outro. Estou feliz. 


E estou feliz justamente porque tenho direito de me manifestar através do voto, de dizer o que penso, de concordar ou de discordar de você.

Já tive a oportunidade de conversar com pessoas que vivem em outros continentes, em regimes autoritários, em que as desavenças não se resolvem na urna e sim em tentativas de atentados terroristas. Onde pessoas são assassinadas pela disputa de poder. Pessoas cujo maior sonho seria ter algo que muitos brasileiros desprezam: a liberdade de pensar, de se expressar e de sonhar.

E daí que temos os Tiriricas da vida? É legítimo que eles se candidatem. Vota nele quem quer. Temos os Fidélix que discursam pelos "aparelhos excretores"? É bom que o digam e a sociedade saiba quem é quem. 

Em quantos lugares do mundo vocês acham que uma mulher conseguiria dizer o que disse a Luciana Genro no debate da Globo (aliás, em todos os debates) desmascarando inclusive a própria Globo? E por falar nisso, em quantos lugares do mundo teríamos TRÊS mulheres concorrendo ao posto de presidente (ou presidenta, como queiram)?

Temos a corrupção dos partidos de maior representatividade? Lamentavelmente, sim. Mas temos a oportunidade de falar livremente disso, de criticá-los, manifestando nossa insatisfação.

Tenho certeza que nem todos os candidatos em que votarei vencerão. E sei que mesmo os que vencerem dificilmente terão um desempenho 100% satisfatório.

Mesmo assim, ao caminhar para a seção eleitoral, o farei com alegria e sugiro que todos pensem um pouco nisso, já que muitas vezes ficamos cegos por nossos interesses mais imediatos e não conseguimos o distanciamento para compreender o bem mais precioso que nós possuímos.


Veja também:

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Adidas: Quem vê nádegas não vê coração

Causaram polêmica as camisas da Adidas alusivas à Copa do Mundo de 2014. Uma delas diz "Lookin' to score" que tem duplo sentido de 'marcar'  (pontos ou gols) e "faturar" (em um sentido, digamos, sexual). A segunda dispensa interpretações ao mostrar um "coração-nádegas" com os dizeres "I love Brazil".

Órgãos oficiais como a Embratur se manifestaram contra a Adidas que parece ter cancelado as vendas das camisetas. A alegação é de que poderiam estimular o "turismo sexual".

Embora eu não tenha gostado da camiseta por seu conteúdo sexista e achar de "mau gosto", acho que seriam perfeitamente aceitáveis na cultura carnavalizada em que vivemos. É irônico que o país que diz se orgulhar de seu Carnaval em que mulheres seminuas desfilam por aí e onde "popozudas" tem status de popstar nessa cultura tosca do funk se sinta constrangido com uma simples camiiseta. E o delicaco tema da exploração sexual tem a ver com muitos outros fatores sociais dos quais nossos governos não conseguem dar conta. 

Outro dia me deparei em uma loja da rede Renner com uma camiseta com os dizeres "Brazilians do it better" ("Brasileiros fazem melhor") e não vi ninguém reclamando. Sem contar com camisetas como as da 'grife' "Pânico" (do programa de TV) que como regra trazem mensagens sexistas de duplo sentido e são vendidas em grandes lojas por aí.

Brigar com a Adidas por causa das camisetas é culpar o espelho pelo que ele mostra. Se tratássemos a educação com mais seriedade, certamente projetaríamos naturalmente uma imagem mais positiva de nossa nação...

Por essas e outras, fica aí nossa canção manifesto:

domingo, 7 de julho de 2013

Anderson Silva: nocauteado pela falta de humildade

Como já dizia aquela música "malandro é malandro, mané é mané"... Anderson Silva quis ser malandro mas dessa vez foi 'mané', "Neymarzou", deu 'selinho', fez dancinha, menosprezou o adversário e no final acabou levando uma sova histórica de Cris Weidman. De quebra, protagonizou a cena da semana e já virou 'meme' imediato nas redes sociais. 

Espero que isso o tenha lembrado da primeira lição de um campeão: a humildade.

Veja também:
Futebol: Neymar e a crucificação do bom senso

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Não deixe sua indignação esfriar

Com o final da Copa das Confederações e a conquista brasileira, a impressão final foi que o feito futebolístico foi maior que as justas manifestações, afinal a grande mídia, bem ao seu modo, utilizou o circo para desviar as atenções.
Por isso, por mais que amemos o futebol, não nos esqueçamos que há outras prioridades, perto das quais a vitória do Futebol é insignificante. No vídeo abaixo, a minha mensagem em uma canção que escrevi antes dos protestos eclodirem, mas que já retratava a indignação dos que foram as ruas gritar por um Brasil melhor:

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Futebol, esse esporte canalha

Há muita canalhice ao redor do futebol, isso sabemos. Mas o esporte em si também consegue ser de uma canalhice sádica. É só ver o caso do Japão na Copa das Confederações. Fez uma partida linda contra a Itália, demonstrando um futebol rápido, técnico e ofensivo e saiu com o amargo e injusto revés de 4x3.
Em nada lembrou o inofensivo time que foi goleado pelo Brasil de Felipão, o que demonstra que a falta de tempo para a adaptação antes da estreia prejudicou muito o desempenho dos japoneses. 

Mas nada foi maior que a canalhice protagonizada pela Espanha, com seus impiedosos 10x0 sobre o simpático Taiti. Não deixa ser uma metáfora da democracia "padrão Fifa" em que vivemos. Colocam-se todos frente a frente, mesmo que as forças sejam completamente desproporcionais. O mesmo fair play de quem acha que estádio é mais importante que futebol.  
Infelizmente, historicamente, nossos governantes são como a seleção espanhola, e nós, o frágil Taiti, que mesmo com o barulho da arquibancada, se contenta em marcar um gol na partida, embora na atualidade sejamos mais parecidos com a equipe japonesa, já que com essas manifestações todas fizemos uma das melhores "partidas" de nossa história.

Fizemos muito barulho e marcamos nossos gols. Mas só isso não basta para virar o jogo nesse esporte canalha.

Veja também:

Ronaldo, o Fenômeno da Alienação

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

(ALIE)Nação Corintiana

E lá se foi uma semana da tragédia em Oruro. Saiu a punição ao Corinthians que jogará com portões fechados contra o Milionarios (COL) nesta quarta-feira e possivelmente nos jogos seguintes nos próximos 60 dias (leia mais aqui).

Dentre tantas bizarrices nesse caso duas são de derrubar a moral de qualquer um: primeiro, no domingo tivemos a entrevista do tal "de menor" que assumiu a autoria do disparo do sinalizador e causando consequentemente a morte do torcedor boliviano (assista a matéria do Fantástico aqui). Com fortes suspeitas de que seja uma 'armação' já que aqueles que ainda não atingiram a maioridade gozam de status privilegiado perante a lei, expediente, aliás, comumente utilizado por organizações criminosas (leia mais aqui).
Nação ou Alienação?
E na tarde de hoje, terça-feira, eis que foi levantada a hipótese de o Corinthians  impedir a imprensa de acompanhar o jogo. O que novamente soa como uma estratégia para aumentar a confusão e criar pressão sobre a Conmebol para a redução da punição.

Sabemos que de 'santos' no futebol só temos os nomes de alguns clubes. Mas a canalhice anda passando dos limites. E infelizmente   o que a mídia faz há tempos é fomentar esse circo de 'desinformação'.

Quando o seu 'campeão de audiência' está envolvido, é que a coisa fica ainda mais intragável. O torcedor-telespectador que ao final de 2012 viu todo o patetismo ao redor do clube alvinegro, como as vexatórias tentativas de se inflar números, acobertar os excessos (como o vandalismo no aeroporto) e criar expectativas infundadas (como a tal festa que iria parar São Paulo e que aconteceu numa perspectiva que pode ser considerada normal), agora vê toda uma comoção forçada ao redor da punição 'injusta' ou 'exagerada'. Mostram as manifestações de "luto" da torcida, mas omitem que os mesmos brigaram entre si, como por exemplo ocorreu em Bragança Paulista (leia mais aqui).
Ronaldo & Lula: benfeitores
Senão fosse o suficiente, ainda há os casos de 'politicagem' que envolvem tanto a construção do famigerado Itaquerão, o apadrinhamento de Lula, o patrocínio de um banco estatal.

Parece que nosso projeto de nação (ou de alienação) passa exlusivamente pela 'estatização' de um clube. 

Como cidadão,  torcedor e apreciador de futebol, fico decepcionado e apreensivo com a situação. Não percebem os envolvidos nesse 'projeto' que na medida em que promovem um clube promovem também a rejeição a ele.

No país da bola, todas as tensões da sociedade (inclusive ideológicas e políticas),  ecoam nos campos de futebol e nas redes sociais, que por sua vez se tornaram ecos da arquibancada, e com um atenuante de serem extramente eficazes na propagação de ideias, sejam elas construtivas ou destrutivas.

O antídoto para a alienação talvez fosse a educação, mas esta já foi rebaixada a sabe-se lá que divisão no campeonato das nossas prioridades. Aos que ainda tentam resistir, há que se garimpar nos blogs e sites independentes opiniões e informações que destoem do coro midiático...

Veja também:

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Futebol: CBF x Clubes: Quem perde é o torcedor...

Semana passada, o jornal esportivo "Lance!" publicou uma capa com os dizeres "Abaixo a Seleção" simulando uma pichação.

Mais do que uma estratégia de marketing, a capa foi uma síntese daquilo que todo torcedor sente neste momento: a seleção da CBF se tornou a antítese do futebol. 

No momento em que o campeonato está pegando fogo, vem a ducha de água fria da CBF, com o seu pífio "Superclássico das Américas". 

E não adianta. Mesmo que o Mano consiga fazer esse time jogar e vença por 5x0 a Argentina o sentimento será o mesmo. Nem o torcedor que ama seu clube que luta pelas primeiras posições terá sua ansiedade aliviada, nem aquele que luta para permanecer na elite se virá livre de seus receios.

Sem contar o desequilíbrio que pode ser causado na medida em que alguns clubes perdem seus principais jogadores.

O "superclássico" que o torcedor quer ver é aquele que tem as cores do seu clube em campo. E a Confederação que deveria promover o espetáculo, acaba por denegri-lo.

A continuar assim a "pátria de chuteiras" terminará descalça. Abandonada pelos torcedores a quem ela primeiro desamparou...

Veja também: Seleção Brasileira, mas não dos Brasileiros...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Futebol: Neymar e a crucificação do bom senso

Para vender vale tudo. Esse é um dos valores modernos que achei que tivesse incorporado. Mesmo assim não digeri a capa da Placar com Neymar crucificado.

Neymar é um jovem craque que arrasta multidões onde quer quer vá. Tê-lo na capa certamente já garantiria uma certa notoriedade e alavancaria as vendas da revista. Isso poderia ser feito de inúmeras formas. 

Mas eis que alguém teve a ideia bizarra de retratá-lo como Jesus Cristo crucificado. Ao invés de aproveitar todas as outras possibilidades, optou-se por aquela que chocaria mais, criando uma polêmica artificial e mexendo com a religiosidade que, gostem ou não, está no âmago da sociedade brasileira, com reflexos nos gramados, haja vista a grande quantidade de atletas que propagam slogans religiosos. E de certa maneira, esse é um retrato do jornalismo esportivo brasileiro, cujo lema parece ser "para que informar, quando se pode polemizar"?

Além disso, nada mais falso que a figura do "Ney-mártir": craque, que ganha milhões, e na maioria das vezes tem o respaldo da mídia (inclusive da própria revista que o coloca na posição de vítima)  e a proteção da arbitragem. 
Felizmente, temos a virtude da tolerância e com excessão de alguns protestos indignados a repercussão não será tão nefasta. Como disseram em um comentário que eu li por aí, fosse Maomé caracterizado com um moicano e de fato teríamos um grande problema.

Mesmo assim, acredito que a imagem de Neymar sofreu mais um arranhão desnecessário. Esperemos que com a bola nos pés ele consiga nos fazer esquecer dessa grande bobagem...