Mostrando postagens com marcador crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crítica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"Noé": um dilúvio non-sense na releitura do mito bíblico

Imagine se a Bíblia tivesse sido escrita por J.R.R. Tolkien ("Senhor dos Anéis") e com elementos dos dramalhões violentos de Ken Follet ("Os Pilares da Terra")? 
Pois é mais ou menos isso que você vai encontrar no mediano "Noé", releitura da famosa história bíblica do homem que é escolhido por Deus para construir a famosa Arca que salvou animais e a espécie humana de um dilúvio universal para purificar a Terra desolada moralmente pela raça humana.
O grande problema é que a releitura é digamos deveras 'criativa' e acaba descaracterizando o mito original. Para se ter uma ideia, Noé luta ao lado de criaturas de pedra (na verdade, anjos decaídos) que o auxiliam na construção da descomunal arca. Matusalém (Anthony Hopkins), seu avô, luta com uma espada superpoderosa de dar inveja a qualquer cavaleiro de jedi, entre outras pérolas.
O astro Russell Crowe até que segura as pontas, mas quem espera encontrar um Noé com cara e barbas de profeta, vai se desapontar (ou não) com um personagem no melhor estilo Gladiador, sempre pronto pra porrada.
Sobre a trama em si, ela pode ser dividida em antes, durante e depois do dilúvio. A parte anterior ao dilúvio é a mais divertida, apesar de todas as bizarrices elencadas. O durante e o depois do dilúvio é que fazem a barca afundar... A trama descamba para uma série de conflitos existenciais dos personagens, o que em tese deveria ser bom, mas acaba a  tornando cansativa. O excesso de drama e especialmente o fato de um invasor adentrar a arca são as gotas d'água para transbordar a paciência do espectador, que no final das contas sai com a impressão de que assistiu a uma daquelas minisséries da Record feita com efeitos especiais hollywoodianos. 
Enfim, um filme recomendável somente para fãs die hard de Russel Crowe ou curiosos que queiram comparar essa versão cinematográfica com a versão da história bíblica.  

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Círculo de Fogo (crítica)

O diretor Guilhermo del Toro (Hellboy, O Labirinto do Fauno) volta a dirigir mais um grande filme de ação e com visual espetacular (sua marca registrada, diga-se).

Não espere nada muito filosófico: o que temos em círculo de fogo é ação ininterrupta com um epílogo que por si só já arrebata a audiência. O roteiro, escrito pelo próprio del Toro, une diversos elementos já clássicos da ficção científica: futuro apocalíptico, aliens gigantescos que emergem do mar e dizimam cidade (um misto de Godzila e Cloverfield), a resistência pela preservação da humanidade e é claro, robôs gigantes tripulados, numa atualização da tradição dos seriados japoneses em lutas ocorriam sobre as cidades. A diferença é que ao invés de maquetes toscas como no passado temos efeitos visuais de cair o queixo. 
Assim se desenrola a batalha entre "Kaijus" (como são chamados os monstrões) e os "Jaegers" (nome dado aos robôs). É claro que em meio a tanta adrenalina o trabalho dos atores fica em segundo plano. 
Mas mesmo sem um grande nome no elenco, os protagonistas não fazem feio e humanizam a trama com  seus conflitos que, embora um tanto quanto clichés, são bem dosados e não descambam para o pieguismo. E em meio aos heróis brigões sobra para uma dupla de cientistas o contraponto cômico que ajudam a dar um quebrada na narrativa, aliviando a tensão das cenas mais intensas e criando a expectativa das próximas.

Enfim, um filme divertido para quem não liga para exageros. Confira o trailer:  

segunda-feira, 1 de abril de 2013

G.I. Joe 2: Retaliação

Quem procura um filme apenas divertido, sem se preocupar muito com a profundidade da narrativa, pode encontrar algumas qualidades em "G.I. Joe 2: Retaliação" (dir. Jon M. Chu). Afinal, ninguém pode esperar mais que isso de um filme inspirado em um linha de brinquedos e que tem o grandalhão Dwayne Johnson, na pele de Roadblock, como protagonista.
Deve ter muito marmanjo que, assim como eu, era fã dos G.I. Joe (por aqui batizados de "Comandos em Ação"). Por isso, impossível não ter uma certa nostalgia ao ver seus personagens favoritos de infância na tela grande.
Na trama dessa segunda aventura cinematográfica, os soldados de elite do exército americano se veem encrencados quando o grupo terrorista Cobra faz o que todo terrorista sonha em fazer: sequestram o presidente norte-americano, colocando o Zartan, o vilão mestre em disfarces, em seu lugar. O falso presidente arma uma emboscada para os Joes que ficam reduzidos a apenas quatro (entre os quais Snake Eyes, o popular "ninja negro", que com sua armadura negra parece mais um metal hero de uma série japonesa dos anos 90 que um soldado de elite do exército americano), mas recebem alguns reforços ao longo do caminho, 
Paralelo a isso, o Comandante Cobra é resgatado de um prisão de segurança máxima por, o popular "ninja branco".  Com o falso presidente e o Comandante Cobra livres, o plano de domínio global da organização criminosa parecem próximos de se concretizar.
Mas eis que "o primeiro Joe", ninguém menos que o vovô 'duro de matar' Bruce Willis, aparece para dar aquela força aos heróis. Sua participação ainda que rápida é um dos momentos mais divertido do filme, especialmente quando ele mostra alguns brinquedinhos que ainda guarda em casa.
Falando novamente em nostalgia, a narrativa reflete um pouco a inocência perdida nos filmes de ação. O Comandante Cobra, um vilão à moda antiga. Sua única ambição é dominar o mundo. E só. Não há motivações políticas ou nada parecido para justificar a sua maldade, o que se aplica a seus comparsas. É o bem contra o mal pura e simplesmente.
Não é preciso falar que os planos do Cobra serão frustrados da maneira mais cartunesca possível. E com muitos tiros e explosões. Ah, e com uma espetacular sequência de lutas de ninjas. Confira o trailer:

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Dave Mustaine: cronista de um mundo violento

Mais uma vez o mundo lamenta um massacre sem sentido, desta vez em Newtown, Connecticut, EUA, com o atenuante de as vítimas serem crianças, o que apenas torna o quadro mais monstruoso.

A tragédia se encaixa em um contexto mais amplo de uma cultura belicosa e violenta, difícil de se explicar, algo que difere muito da realidade brasileira, por exemplo, que também é bastante violenta,  mas cuja origem se encontra, de uma forma geral, associada à criminalidade.

Talvez esse contexto sombrio, em que da aparente normalidade surgem pessoas capazes de extravasar seu ódio  de forma tão cruel, explique um pouco a poética de um dos grandes letristas da história do rock pesado: Dave Mustaine.

Mustaine, ao longo de sua carreira frente ao Megadeth, compôs inúmeras canções cujas letras dão vazão aos sentimentos mais destrutivos do ser humano. E embora a estética do heavy metal pudesse sugerir que se tratasse de um incentivo a violência, um observador mais atento compreenderá que não se trata de incentivo e sim de uma constatação simples: vivemos em um mundo violento.

Ao refletir sobre o ocorrido em Newtown, não pude deixar de lembrar da música "99 ways to die" ("99 formas de morrer"), do Megadeth,  cujo videoclipe que você confere abaixo apresenta  frases com estatísticas sobre mortes de crianças causadas por armas de fogo. 


Além disso, um trecho da letra da música parece descrever o triste episódio: "Há apenas morte e perigo nos buracos dos meus olhos / Um playground de ilusão... Ninguém brinca, apenas morrem".
 
A música foi lançada em 1993 como parte da coletânea "The Beavis and Butt-Head Experience" dos famosos personagens da MTV e relançada posteriomente na coletânea "Hidden Treasures". Uma pena que 19 anos depois de seu lançamento, a mensagem do videoclipe continue tão atual.   
Enquanto a sensibilidade de alguns aponta para o belo e o sublime, a de outros, como Mustaine, aponta para o mórbido.  E neste mundo em que vivemos, talvez às vezes fosse prudente ouvirmos o que os do segundo grupo tem a dizer...

Veja também:
O Cavaleiro das Trevas Chora
WhoCares: Rock'n'Roll e Solidariedade
Rock of Ages: resgatando o rock'n'roll dos anos 80

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Humorista Marcos Castro transforma "Fuleco" em música

"Fuleco" é o nome da música que o humorista Marcos Castro fez criticando não só o esdrúxulo nome do mascote da Copa-14 mas também outros absurdos ao redor da realização do evento no "país da piada pronta" (a letra e a cifra da música podem ser conferidas em sua Fanpage oficial no Facebook - clique aqui)! 

Vale a pena conferir!
Aproveite e confiram também a música "Imagina na Copa" de minha autoria sobre o mesmo tema!

Veja também: 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sombras da noite

Depois de um tempo desmoralizados pela bizarrice chamada "saga Crepúsculo", eis que surge um Vampiro um pouco mais divertido na comédia de humor negro "Sombras da Noite", mais uma tabelinha entre Johnny Depp e Tim Burton, mestres em criar tipos esquisitos, para a alegria de cosplayers e donos de lojas de fantasias.

A trama é simples: gira em torno do jovem Barnabás Collins amaldiçoado por uma bruxa cujo amor ele não correspondera. Trasformado em um vampiro e trancafiado por quase 200 anos, ele desperta na década de 60 em busca de vingança.


E desse choque cultural, surgem situações divertidíssimas, embora em alguns momentos um tanto escatológicas. Os mais velhos de pipoca vão se lembrar de "A morte lhe cai bem" na cena da 'batalha final' entre o vampiro e sua antagonista.

Contudo,  o destaque rocker mais empolgante é a participação do mestre Alice Cooper que aparece tocando "No more Mr. Nice Guy"e "Ballad of Dwight Fright". Vê-lo na tela grande já vale o ingresso.  

Veja também: Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros
                      Alice Cooper quer ser eleito

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Disco do Ano - Zeca Baleiro


O título que a princípio pode soar pretensioso é na verdade uma grande ironia. Numa época de downloads caracterizada pela imaterialidade do 'produto' do músico, o "Disco do Ano" se destaca também pelo ótimo trabalho gráfico, que inclui dois encartes com as letras das músicas, e o próprio cd reproduz a aparência de um disco de vinil. E é nesse diálogo entre antigo e moderno, entre o dito e o não-dito que se constrói a poética do Baleiro.

O jogo de palavras (O amor é uma/ brasa mora /dentro do meu coração”, em “O amor viajou”), as referências pop (“O sonho de Lennon morreu / O meu não”, em “Felicidade pode ser qualquer coisa”), a incorporação de maneirismos tecnológicos à linguagem cotidiana (“O hype dos ringtones / o megahit no youtube”, em “Mamãe no Face”), enfim, todos os elementos que lhe são peculiares encontram-se novamente presentes.

A temática sentimental predomina, hora mais introspectiva, hora jocosa, refletindo aspectos das relações pessoais em tempos de redes sociais (“Vou excluir você do meu Facebook“, na faixa  “Meu amigo Enock”). Mas há espaço para a crítica aos valores da sociedade de consumo como em “O Desejo” (“Você é feliz ma non troppo / Porque nenhum bem lhe basta / E a falta a falta a falta / sua vida devassa”).

Musicalmente, o mesmo balaio de ritmos de sempre, desta vez tendo um produtor para cada faixa.

Pode não ser o “Disco do ano”, mas trata-se de uma obra que merece ser ouvida. Não importa o formato.

Confira o clip de "Calma aí, coração"


Veja também: