Pessoal da região de Sorocaba tem uma, ou melhor, duas boas alternativas para aproveitar o Carnaval.
Sorocaba terá pela primeira vez o Rock'n'Roll em sua programação oficial de Carnaval com o RockFolia que terá as bandas Bit Beat Bite Bright, Nôva, Fones, Valverine, Incesto Andar e Cacá Barros. O evento ocorrerá a partir das 15 horas do Sábado (25/02) no Teatro de Arena localizado ao lado do Teatro Municipal "Teotônio Vilela", no Paço Municipal.
Já a vizinha Votorantim realizará no domingo (26/02) mais uma edição do seu já tradicional "CarnaRock" que terá as seguintes atrações: Dream Wild, Barba Roots, Prestto e Stay Hungry (Twisted Sister Tribute). Os shows serão na Praça de Eventos da cidade.
Ambos eventos são gratuitos. Então já sabe: nada de ficar em casa reclamando que "não tem o que fazer" no Carnaval!
O Chupa FC é um projeto multimídia de humor futebolístico idealizado pelo ótimo jornalista Mauro Beting. E dessa vez o "Chupa" nos presenteou com um 'samba enredo' chamado "É ano de Copa no Brasil", uma verdadeira pérola da cornetagem que reúne de forma muito inteligente as críticas à malfadada Copa do Mundo Fifa. Confiram:
Em um post anterior comentei sobre algumas experiências positivas envolvendo a união de rock e ritmos brasileiros (leia aqui). Mas há sempre o outro lado da moeda.
Neste final de semana de Carnaval a escola de Samba Carioca levará o 'Rock in Rio' para o Sambódromo, já que o o famoso festival será tema de seu desfile. Entre outras referências, lá estará em cima de um carro alegórico, "Eddie", o mascote da banda inglesa Iron Maiden, uma das mais populares bandas de metal do mundo e com milhares de fãs no Brasil. Certamente, os músicos da banda devem ter ficados satisfeitos com a notícia, que não foi assim tão bem recebida pelos fãs brasileiros.
Isso mostra um pouco do lado conservador do público fã de música pesada. Mas a situação já foi muito pior. E, curiosamente, o maior exemplo dessa intolerância aconteceu na 2ª edição do Rock In Rio, em 1991.
Na ocasião Lobão, que na época fazia um som bem rock'n'roll e até certo ponto pesado para os padrões do rock nacional fora escalado para tocar na noite do METAL no festival. Lobão que tinha acabado de lançar seu primeiro disco ao vivo, que entre outras coisas, trazia um versão de seu clássico "Vida Bandida" com participação de Ivo Meirelles e a bateria da Mangueira, algo que se ecaixava perfeitamente em sua sonoridade e conferia até um, "peso extra" à música.
Lobão subiu o logo após o Sepultura (que ironicamente viria a incorporar elementos brasileiros a sua música 5 anos mais tarde...). E foi extremamente mal recebido, a ponto de interromper o show e abandonar o palco (veja o vídeo abaixo mas cuidado com a abordagem preconceituosa da Globo).
É claro que sua saída não se deu sem que ele proferisse uma série de insultos aos que o ofendiam, incluindo uma das mais célebres de toda a história do rock brasileiro:
Para piorar, Lobão chamou ao Palco a bateria da Mangueira que deveria fazer uma participação especial no encerramento de seu show. E aí foi um festival de garrafas com conteúdos, digamos orgânico, voando ao palco. O episódio foi tão marcante que mesmo Dave Mustaine do Megadeth (que tocaria depois) não esquece como foi ter que tocar em um palco cheirando a urina (conforme ele relembra no vídeo abaixo, em inglês).
Dez anos depois, foi Carlinhos Brown (o mesmo que já tinha gravado com o Sepultura...) que foi ''homenageado" com vaias e uma chuva de objetos pelo público rockeiro, como mostra o vídeo abaixo:
Sem dúvidas, esses dois episódios são lamentáveis, já que, uma coisa é gostar ou não do artista, outra coisa é desrespeitá-lo. Que cenas como essa da foto abaixo ajudem a criar essa consciência de respeito mútuo e cidadania.
Yves Passarel (Capital Inicial/Viper), Marco Túlio (Jota Quest) e Andreas Kisser (Sepultura) em ensaio da Mocidade Independente
É claro que o Carnaval tem importância indiscutível na cultura brasileira e o Samba (entre outros gêneros que animam a festa em todo Brasil) em sua diversas modalidades produziu incontáveis clássicos da Música Popular Brasileira. Mas como negócio aqui é rock'n'roll, aqui vai uma breve lista com algumas bandas que fizeram de forma bem sucedida a mistura de ritmos brasileiros e guitarras distorcidas.
A mais importante banda (em termos de popularidade e repercussão internacional) do Brasil levou ao extremo a ideia de explorar ritmos brasileiros no álbum 'Roots', de 1996. Além de usar de forma bastante competente batucadas estilo 'Olodum', berimbau e até músicas indígenas, a ousadia foi grande a ponto de convidar o percussionista e compositor Carlinhos Brown para cantar a faixa 'Ratamahatta'. Apesar de alguns fãs mais, digamos tradicionais, tenham torcido o nariz a mistura fez bastante sucesso e o videoclipe da música ocupou os primeiros lugares das paradas da MTV Brasil que à época ainda veiculava música de verdade.
2. Overdose: Favela
O Overdose foi sem dúvidas, uma das bandas mais importantes do Metal Nacional nos anos 80 e 90. Conterrâneos e contemporâneos do Sepultura, com que dividiram o primeiro álbum Bestial Devastation (1985), a banda alcançou repercussão internacional embora nunca tenham desfrutado da mesma popularidade que seus co-irmãos. Em 1995 a banda lançou seu último álbum "Decadence of Progress" que também demonstrava fortes influências percussivas brasileiras, como pode ser conferido na música abaixo:
3. Angra: Carolina IV
Outra grande banda de Metal que misturou com competência ritmos brasileiros e metal foi o Angra, que apesar de fazer isso em todos seus álbuns, teve seu ápice de 'brasilidade' no álbum 'Holy Land' (1996) que tratava do descobrimento do Brasil. A introdução da faixa "Carolina IV" é um grande exemplo de como a batucada andava em alta entre as bandas de metal em meados da década de 90:
4. Velhas Virgens: Marcha do Tira a Roupa
Mudando totalmente de gênero, o "Velhas Virgens", que faz um rock'n'roll visceral com letras explicitamente etílicas e sacanas, foi além de incorporar elementos percussivos à música e resolveu incorporar de vez o Carnaval em si. Tanto que criou um evento anual chamado de "Carnavelhas" que rendeu cds temáticos e músicas como essa (umas da melhores marchinhas da história):
5. Bezerra da Silva & Barão Vermelho: Malandragem dá um tempo
Encerrando essa breve lista, uma apresentação do sambista Bezerra da Silva (23/02/1927 - 17/01/2005) cantando sua música "Malandragem dá um tempo" com o Barão Vermelho em uma versão pop rock bem bacana.