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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Obrigado, Dilma Rousseff!

Obrigado, Dilma Rousseff!

Obrigado por ter nos livrado de Aécio Neves como presidente.

Obrigado por ter honrado o meu voto e os de outros milhões de brasileiros ao lutar até o último momento para defender o nosso estado democrático.

Obrigado por desmascarar seus opositores e revelar-lhes toda sua mesquinhez e preconceitos.

Obrigado por ter se tornado maior que seu Partido, maior que seu antecessor e padrinho político, ao se tornar um símbolo da resistência ao que há de mais sórdido na nossa cultura política.

Obrigado por ter sido a primeira mulher a governar o país e ter resistido a tantas chacotas e xingamentos que extrapolavam aspectos políticos visando denegrir sua condição feminina.

Obrigado por ter enfrentado às chantagens de Eduardo Cunha mesmo sabendo das consequências políticas que poderiam culminar em seu afastamento. 

Obrigado por ter resistido quando todos os outros teriam desistido e renunciado.

Nesse dia nefasto para quem preza pela democracia, ao invés de simplesmente lamentar, prefiro agradecer a essa figura pública que continuará tendo a minha admiração, maior agora do que antes. 

Muito obrigado, Dilma Rousseff!

Veja também:
Crônica de um Golpe Anunciado

domingo, 15 de maio de 2016

Governo Temer é tão legítimo quanto o Mundial de 2000 ou o Brasileiro de 87


No decorrer da última semana vimos episódios bizarros que antecederam o ápice do golpismo em curso no país, mas que não evitaram que Michel Temer assumisse interinamente o posto de Presidente da República.

Como nas mais vis equipes do futebol, a comandante não resistiu à pressão da "torcida" (ou de parte dela) e foi forçada a entregar o cargo democraticamente conquistado através do sagrado voto direto a quem na prática não recebeu voto algum. Sejamos francos (como foi Itamar Franco, o vice de Collor que virou presidente mas a quem jamais coube o papel de conspirador): ninguém vota no "vice"; o "vice" está lá para ser "vice" e não para puxar o tapete de quem está à frente da coligação. Esse argumento do "vice" é tão vexatório que até o Vasco da Gama resolveu ser campeão para evitar associações.

Já com a prancheta na mão o professor Temer escalou seus Ministros. Sete deles acusados de corrupção, mas isso não incomodou o pessoal da camisa da CBF que foi às ruas diante da nomeação de Lula, em um curioso 7x1 cujos ecos parecem que jamais irão cessar.
Torcida do Internacional protesta contra Temer na Final do Gaúcho.
Politização das torcidas é uma tendência nacional.
O combate à corrupção entrou em stand by. E parece que tática da retranca irá prevalecer. Com o placar favorável, ir ao ataque pode significar riscos desnecessários. Além disso, fingir que a corrupção não existe tem sido uma estratégia de sucesso em muitos governos. Se não há o que investigar, não há o que provar nem o que punir. Em outras palavras, se o juiz não viu, segue o jogo!

Por fim, encerramos nossas elucubrações futebolísticas acerca da política nacional com a constatação de que o governo Temer é tão legítimo quanto o título Mundial de 2000 do Corinthians ou o título Brasileiro de 87 do Flamengo. A menos que você torça para essas duas equipes, você sempre irá contestá-los (isso para não falar do "Mundial" do Palmeiras, já que não é possível argumentar sobre o que não existe, ou a paixão do Fluminense pelos tribunais). 

Temer não foi à campo, ganhou no tapetão e ainda por cima com interpretação dúbia do regulamento. Assim fica difícil até para os mais fanáticos torcedores o defenderem. Sobram apenas bravatas do tipo "Chora mais", "Chupa" ou "Tchau, querida!".

Já para a presidente e seus torcedores fica a decepção de ter feito um golaço aos 45" do segundo tempo e, depois de correr para o abraço, ver o bandeirinha marcar impedimento.

Ainda há a prorrogação, mas dificilmente haverá fôlego para uma virada. 

Mais um gol contra na nossa golpeada história.

Veja também:
Crônica de um Golpe Anunciado
A contraditória nova DEMOCRACIA CORINTHIANA
Juca Kfouri e o futebol contra o golpe

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Crônica de um Golpe Anunciado

Os íntegros e éticos cidadãos brasileiros soltam fogos e fazem festa para celebrar a decisão de um processo conduzido e presidido por Eduardo Cunha. 

"Não podemos mais aceitar a corrupção", eles diziam. 

"O Impeachment aconteceu por vontade do povo", eles diziam. 

"A corrupção tinha que acabar", eles diziam. 

"Tínhamos que tirar aquela quadrilha do poder", eles diziam. 

"Não há o que TEMER!", eles diziam.

"Finalmente nos livraremos dos ladrões comunistas", eles diziam.

"Será o início de uma nova era, o nosso país se tornará mais ético, democrático e justo", eles diziam.

"Eduardo Cunha é ladrão mas prestou um grande serviço ao Brasil", eles diziam. 

"Viva o Brasil!", eles diziam...

Na manhã seguinte, os jornais noticiam que os nobres deputados desta nação articulam a anistia de Cunha, réu no principal escândalo político do país, enquanto o vice conspirador começa a articular seus futuros ministérios de modo a presentear os mal-perdedores. 

Que bela narrativa acrescentamos à nossa Democracia!

Teve golpe sim!

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BLOGS, SELOS E ARTISTAS CONTRA O GOLPE