Um dos filmes mais esperados de 2016, "Batman V Superman: A origem da Justiça" levou os mais populares heróis da DC Comics para os gramados. A proeza ficou a cargo da Under Armour, que anunciou o lançamento de chuteiras estilizadas inspiradas nos personagens.
Pouco antes do seu lançamento, o filme rendeu outras "referências" nos gramados, com clássicos entre Bayern e Dortmund promovendo o filme na Alemanha e Santos e Corinthians sendo disputado pelas equipes trazendo em seus uniformes menções aos filmes.
Recentemente, a Fox usou o Manchester United para promover o personagem Deadpool e seu filme, o que nos leva a indagar quantos frutos mais essa relação futebol-cinema-quadrinhos poderá produzir.
A DC/Warner aproveitou o Comic Con 2015 para sacudir o mundo geek com um novíssimo e mais completo trailer do aguardado "Batman Vs Superman: Dawn of Justice". Depois de ver a Marvel/Disney ganhar oceanos de dinheiro com seu universo cinematográfico em franca expansão, parece que a DC resolveu explorar sua mina de ouro começando sua própria "Civil War". Confira o trailer:
Difícil analisar essa terceira e última parte do Batman de Christopher Nolan.
Após a obra-prima chamada The Dark Knight, que tipo de expectativa nutrir? Toda e qualquer comparação parecerá injusta e ainda assim será inevitável.
Tecnicamente temos um filme impecável. As cenas de Gotham City sitiada e todo o caos instalado são impressionantes. Mas o que deveria ser sua virtude acaba apenas camuflando um roteiro mediano que fecha muito bem com Batman Begins, mas que de fato fica longe do brilhantismo do segundo filme.
E assim como acontecera no filme anterior, há momentos em que Batman parece mais um coadjuvante, com a diferença de que o vilão Bane e seu discurso que beira o fanatismo religioso, querendo estabelecer uma "nova ordem", não apresenta a mesma complexidade (e nem o mesmo 'carisma'...) que o Coringa, um verdadeiro arauto do Caos, em uma interpretação magistral de Heath Ledger.
Ah sim, a "Mulher-Gato" também está lá, mas sem o excesso de fetichismo que geralmente ronda a personagem, provavelmente em sua melhor caracterização no cinema.
Do ponto de vista narrativo, há sequências que não ficam bem amarradas. Como, por exemplo, o fato de Bruce Wayne passar dias em uma prisão no meio do nada e na cena seguinte a sua 'fuga' ele aparecer todo galeanteador em Gotham como se nada tivesse acontecido, sem nenhum tipo de transição. Essa falta de coesão, no entanto, não atrapalha o andamento da trama que segue em ritmo acelerado.
O desfecho segue as fórmulas hollywoodianas de guardar uma "surpresa dentro da surpresa", algo que deve estar na cartilha dos roteiristas e invariavelmente acaba criando um anti-clímax. Há também um epílogo folhetinesco que faz com que tudo se encaixe e o "final feliz" seja garantido.
Chama a atenção o fato de boa parte da ação final acontecer durante o dia, mas mesmo isso está cheio de simbolismo: o que o desacreditado Cavaleiro das Trevas verdadeiramente almeja é a luz, é a libertação de sua alma torturada pelas perdas e pelo vazio por trás da máscara do guerreiro.
E para o público adulto talvez essa seja a beleza do filme, afinal por trás das nossas máscaras o que verdadeiramente almejamos é a fuga das trevas dos conflitos que nos afligem.
Como fã de quadrinhos, não há como não lamentar o incidente ocorrido em Aurora, Colorado, EUA, em que um cidadão de nome James Holmes disparou contra a plateia que assistia à estreia de "Batman: The Dark Knight Rises", matando 12 pessoas e deixando 58 feridas. O desequilibrado teria dito que era "o Coringa".
Obviamente o episódio ja despertou discussões sobre a forma como a violência é tratada em filmes, games e afins. O caso se assemelha a outro ocorrido no Brasil em 1999, quando um paspalho estudante de medicina invadiu um cinema durante a exibição do filme "Clube da Luta" disparando contra o público e matando três pessoas. O episódio teria sido inspirado no jogo "Duke Nukem".
Quem sabe um psiquiatra explique o que se passa na cabeça desses malucos. Não acredito que a influência midiática tenha sido determinante para essas tragédia, embora sejam elementos importantes. A violência tem lá sua função estética no cinema e (por que não?) nos games. Mas não foi criada por eles. Nem armas são adquiridas com um saco de pipocas na bilheteria.
Sociedades violentas produzem pessoas violentas e/ou interessadas em violência. A maior estupidez nesse caso é prover os intrumentos para que essa ação violenta se concretize.
Sobre Batman, "o cavaleiro das trevas", um heroi trágico por excelência, resta lamentar que tenha que carregar sob sua capa mais uma tragédia do mundo real...
Cinema também é business e para evitar riscos os grandes estúdios tem suas estratégias. Nas décadas de 80 e 90 eram as continuações, que geralmente deixavam a desejar por não serem planejadas, o que melhorou muito depois que Peter Jackson, filmou simultaneamente a Trilogia "Senhor dos Anéis". Depois vieram os remakes, afinal é mais fácil apostar em histórias já conhecidas e atualizá-las com as tecnologias mais recentes.
O "Espetacular Homem-Aranha" e seu antecessor nem tão espetacular
Mas uma das últimas invenções hollywoodianas e que considero particularmente irritante são os 'reboots' que basicamente consistem em 'zerar' uma história, como se fosse possível apagar tudo o que foi feito antes. A estratégia, que pode ser muito conveniente para apagar os fiascos produzidos anteriormente (como o Batman de Joel Schumacher que destruiu a grande caracterização de Tim Burton), seria até interessante se fosse ocasional. Mas se torna desrespeitosa quando o propósito é claramente comercial e não autoral, destruindo a mitologia e a biografia de personagens clássicos que ao longo de décadas povoaram o imaginário popular ao redor do mundo. Isso acontece especialmente nas adaptações de quadrinhos, gerando reboots de remakes como o "The Amazing Spider Man" (veja o trailer - estreia prevista para 3 de julho ), que pelo que se observa por aí, já não gera a mesma expectativa nos fãs de filme de fantasia. E há outra bizarrices por vir... O site Screenrant listou os remakes e reeboots a serem lançados em 2012. Até "Os 3 Patetas" estão na lista... (Clique aqui e confira - em inglês)...
Batman: Reboot necessário
Dessa forma, corremos o risco de ao invés de criarmos novas histórias e novos heróis para povoar o imaginário das gerações futuras apagarmos aqueles que se tornaram arquétipos de gerações passadas...