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domingo, 10 de julho de 2016

Portugal Campeão entre lágrimas e mariposas

Portugal fez uma campanha medíocre durante toda Euro. Passou da primeira fase com três empates. Foi beneficiado por um chaveamento que lhe salvou de enfrentar alguma camisa de peso na sua trajetória até a final.

A França bem que poderia ser o "Gigante Adamastor" descrito por Camões em "Os Lusíadas". Evoluiu durante a competição e apresentou um futebol empolgante contra a atual campeã mundial Alemanha. Teve em Griezmann o craque da Copa. Porém, das duas uma: ou exagerou na comemoração - haja vista a 'nhaca' em que estavam seus principais jogadores - ou esqueceu que ainda lhe faltava mais um jogo para poder levantar o caneco.

Contudo, nenhuma dessas hipóteses serve para justificar o retumbante fracasso francês de perder em casa para um time muito inferior que ainda por cima perdeu seu principal jogador, nocauteado por Payet e por uma singela mariposa.
Aliás, a mariposa ali consolando Cristiano Ronaldo é um ponto chave nesse episódio. Talvez nem em uma narrativa do mestre José Saramago encontrássemos algo tão prosaico. Mas é provável que o bater das asas daquela mariposa tenha desencadeado os eventos que culminariam com o título Português.

O que mais poderia ter desviado aquela finalização da França já no finzinho do segundo tempo senão o movimento das asas da pequena mariposa? Talvez mesmo o gol do português Éder tenha contado com uma ajudinha extra. Jamais saberemos a extensão exata do "efeito mariposa".

Falando em Éder, o herói ficou quase anônimo, pois as lágrimas de Cristiano Ronaldo comoveram de tal forma a opinião pública que ele acabou sendo o centro das atenções sem mesmo ter jogado de fato os 120 minutos da partida. 

Como diria Fernando Pessoa, outro grande da literatura portuguesa: "Ó Mar Salgado, quanto do teu sal são as lágrimas de Cristiano Ronaldo?" Mas desta vez não teve espaço para o fado. Foram lágrimas de vitória. Aquele que tantas vezes carregou sua equipe nas costas desta vez foi mero espectador. Teve que torcer e sofrer como fazemos diariamente nós mortais. O semi-deus do futebol humanizou-se, enfim.

Se em 2004 Portugal injustamente perdeu a final em casa para a Grécia, a história conseguiu ironicamente reparar o erro. Pior para a França que não tinha nada a ver com isso. Terá que esperar que a sorte ou alguma mariposa mágica venha lhe sorrir em outra ocasião. 

MICK JAGGER e ISLÂNDIA derrubam a INGLATERRA

domingo, 5 de janeiro de 2014

O adeus a Eusébio, o Pantera Negra

 E o primeiro domingo de 2014 foi muito triste para o mundo do futebol. Eusébio, o "Pantera Negra", maior ídolo da história do futebol português e um dos grandes nomes do futebol mundial, faleceu aos 71 anos.
Nascido em Moçambique, então colônia portuguesa, Eusébio encantou o mundo nos anos 60. Em sua única participação em Copas do Mundo, levou Portugal ao terceiro lugar do Mundial de 66 na Inglaterra, sendo o artilheiro da competição com 9 gols. Um ano antes fora eleito "Bola de Ouro" devido às suas grandes atuações pelo Benfica, equipe que levou a 3 vice-campeonatos europeus (63, 65 e 68). Também recebeu a "Chuteira de Ouro" em 68 e 73.
Não à toa, a estátua de Eusébio em frente ao Estádio da Luz, casa do Benfica, foi coberta de homenagens ao ídolo maior do clube, que, ao contrário do que é costumaz, não esperou o seu falecimento para homenageá-lo. 
Além da estátua, realiza anualmente a "Eusébio Cup", um jogo amistoso envolvendo o Benfica e mais uma equipe convidada e cujo vencedor leva o troféu que leva o nome de Eusébio.
Coube ao São Paulo FC a honra de levantar a última Eusébio Cup com o craque ainda vivo. Infelizmente, as próximas homenagens poderão apenas manifestar a saudade dos portugueses e dos amantes do futebol.
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Portugal, o mar salgado e Cristiano Ronaldo

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Portugal, o mar salgado e Cristiano Ronaldo

"Mar Portuguez" (grafia original) é um dos mais célebres poemas de Fernando Pessoa, um dos mais geniais 'craques' que já que ja existiram na  literatura mundial. Os versos de abertura são citados de cor por muita gente: "Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal".  

O poema versava sobre as glórias de Portugal que, dizem, não são muitas  (eis o Brasil aqui com seus vícios e defeitos para quem quiser refletir...). Futebolisticamente falando então, contando com um Eusébio esporádico, Portugal nunca foi um esquadrão a ser temido.
Porém, se Fernando Pessoa fosse vivo, hoje teria uma boa história pra contar. E um herói contestado mas que carrega a seleção de seu país nas costas. Foi assim que Cristiano Ronaldo classificou os portugueses para a Copa 2014 vencendo o duelo pessoal contra o lendário guerreiro nórdico Zlatan Ibrahimovich, que não cruzará o oceano pra chegar ao Brasil.

Com a atuação impecável de hoje, Cristiano Ronaldo mostra que é sim digno de ser escolhido como melhor jogador na eleição da bola de ouro da Fifa, monopolizada pelo Messi nos últimos anos. 
O futuro de Portugal na Copa de 2014, no entanto, é enigmático. Se mantiverem a obediência tática desses jogos contra a Suécia e se Cristiano Ronaldo mantiver o mesmo nível de atuação, Portugal pode sonhar com algo além das oitavas de final, fase em que se despediu da Copa de 2010. 

Sobre o jogo de hoje Pessoa certamente diria "Ó mar salgado, quanto de nosso futebol é Cristiano Ronaldo?". E a classificação, será  que valeu a pena? "Tudo vale a pena se alma não é pequena", é o que diz o poema anteriormente citado.

Sendo assim, que venham os portugueses... 

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