A Copa Libertadores ia começar a sua segunda rodada quando um trivial tuíte do perfil oficial da competição revelou uma devastadora realidade, a qual até então eu desconhecia: os rolos de papel, talvez os maiores estandardes do futebol Sul-Americano, estão PROIBIDOS pela Conmebol.
A entidade, que já havia proibido a simpática entrada de crianças nos gramados, ainda proibiu bandeirões e tiras de pano 'por questões de segurança'. E mesmo apitos e balões foram banidos. Tudo registrado em um 'imoral' documento chamado de "Circular 3" (leia o documento CLICANDO AQUI).
Fico imaginando que o próximo passo seja proibir as pessoas de torcerem (aliás, isso já ocorre, como no jogo San Lorenzo x Corinthians num Novo Gasômetro sem o 'gás' da torcida...). Todos comportadamente sentados e aplaudindo, ao estilo plateia de tênis. O futebol sul-americano já foi melhor. E também mais divertido...
Com a Libertadores de volta, não poderia deixar de lembrar das últimas presepadas da Conmebol. Refiro-me aos casos recentes envolvendo suspensões e anulação de suspensões.
Primeiro o episódio do sinalizador corintiano que rendeu uma vítima fatal, um jogo de suspensão e uma amistoso da Seleção Brasileira na Bolívia. Belas punições, certo? (pelo menos os responsáveis continuam presos, só não se sabe até quando...)
Depois com a pena desproporcional ao jogador Luís Fabiano (São Paulo FC). Quatro jogos de suspensão por ter reclamado com o juiz depois de terminado o jogo. Suspensão desproporcional! Um jogo, o normal para qualquer cartão vermelho, teria sido suficiente.
Enquanto isso, Elano (Grêmio) agrediu um bandeirinha com um chute e sequer foi punido.
O mesmo ocorrendo com um jogador do Arsenal da Argentina que em uma partida deu um carrinho criminoso em Ronaldinho Gaúcho e também não recebeu punição alguma.
Com essas presepadas a Conmebol vai caindo em descrédito com os torcedores como aconteceu com a Confederação Brasileira de Futebol, que com decisões discutíveis e parciais ao longo dos anos perdeu o respeito pelo menos dos torcedores mais críticos Instituições assim, ao invés de promover seus clubes e torneios, parecem querer engrandecer a si próprias, para a infelicidade do futebol...
Atualização 04/04: Ontem mais um episódio lamentável com os jogadores do Arsenal (Arg) entrando em confronto com a polícia após a derrota por 5x2 para o Atlético Mineiro. Aguardemos para saber qual será a atitude da Conmebol.
E deu naquilo que esperávamos. Depois de muito barulho, a Conmebol julgou o Corinthians e considerou que o clube poderá jogar com torcida os demais jogos da Libertadores 2013. O clube, no entanto, ficará 18 meses sem poder ter seus torcedores quando atuar como visitante. Além disso, pagará multa de US$ 200 mil, valor irrisório se comparado ao prejuízo que teria em atuar sem torcida. O San José, clube mandante, pagará multa de US$ 10 mil.
Ou seja, a morte do jovem torcedor boliviano (leia aqui) continuará sendo apenas mais um incidente "lamentável". Se alguma tragédia semelhante voltar a acontecer, provavelmente a multa seja aumentada, dado o precedente. Decisões que não colaboram em nada para o crescimento do futebol Sulamericano e aumentam a insegurança de quem vai aos estádios e dos própios atletas.
Tomemos por exemplo outro estúpido episódio de violência, dessa vez protagonizado pela torcida organizada do Palmeiras que agrediu os jogadores do clube ainda no aeroporto na Argentina (veja aqui). Embora nesse caso o clube seja também vítima, a certeza da impunidade leva indíviduos terem a audácia de agir dessa maneira. E revela também como anda os estado de nervos dos torcedores que quando 'organizados' por motivos torpes se aproximam mais de bandos de criminosos que de 'fãs' de uma determinada equipe.
Agora resta esperar que pelo menos na esfera criminal a justiça seja mais rigorosa. Porque vimos mais uma vez que no âmbito esportivo o interesse de patrocinadores e dos detentores dos direitos de transmissão falam mais alto.
Enquanto a Conmebol for omissa, a Copa Libertadores, em termos de organização, continuará sendo o maior torneio de várzea do mundo.
Esporte e morte, apesar da rima, jamais deveriam ocupar a mesma frase. Contudo, foi o que ocorreu ontem em Oruro, Bolívia, quando um torcedor do San José de apenas 14 anos (foto) foi atingido por um sinalizador disparado pela torcida do Corinthians e acabou morrendo (leia mais aqui).
Alguns corintianos acabaram sendo presos e o time e a delegação deixaram o estádio sob o grito de assassinos.
Após a confusão na final da Copa Sul-Americana entre São Paulo x Tigre, quando o time argentino alegou agressão por parte de seguranças do time paulista A Conmebol anunciou que adotaria medidas mais rígidas contra problemas disciplinares envolvendo clubes e torcida (leia mais aqui).
No entanto, mais de 12 horas após o fatal incidente, não há uma nota sequer a respeito do ocorrido no site oficial da entidade (ATUALIZAÇÃO: Conmebol anunciou punição ao Corinthians - leia aqui).
Ao meu ver, caberia a grande mídia sempre parcial e omissa quando se trata de criticar 'campeão' de audiência, mais do que lamentar o episódio, cobrar ações e punições ao clube.
Lembremos que na Europa, o Liverpool, um dos principais clubes do planeta, chegou a ser banido por 8 anos de competições internacionais devido ao comportamento violento de sua torcida.
A Confederação Sul-Americana, ao contrário, é historicamente conivente com manisfetações violentas. O próprio Corinthians já viu sua torcida se revoltar e promover quebra-quebra no Pacaembu após uma eliminação para o River Plate (ARG) na Libertadores 2006, sem que nenhum tipo de punição mais severa ocorresse.
Aguardemos os desdobramentos. Mas na luta de bastidores entre o modesto San José e o badalado Corinthians, a sensação que temos é que a história de impunidade se repetirá... ATUALIZAÇÃO: 22/02/2013: Surpreendentemente, a Conmebol anunciou, em caráter preliminar que o Corinthians mandará seus jogos sem torcida e que não terá direito a ingressos em estádios de adversários. Corinthians irá recorrer. (leia mais aqui)